Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

17 abr

Iris tem mais de R$ 1 bilhão para obras, mas permite que os dois maiores viadutos que construiu em Goiânia entrem em decadência, sem manutenção e com problemas que ameaçam as suas estruturas

O Viaduto João Alves de Queiroz, conhecido popularmente como Viaduto da T-63, e o Viaduto Latif Sebba, na Praça do Ratinho, assinalados no horizonte urbano por enormes e pontudas estruturas metálicas, de estilo construtivista, estão em processo de decadência visual e possivelmente também estrutural, já que não recebem qualquer manutenção por parte da prefeitura de Goiânia.

 

Quem conhece o estilo administrativo do prefeito Iris Rezende sabe que deixar ao léu obras já concluídas é parte importante da sua estratégia para economizar e amontoar dinheiro no caixa. Não é à toa que ele está sentado sobre uma montanha de recursos, mais de R$ 1 bilhão, que vai usar agora para alavancar o seu mandato, depois dos dois primeiros anos iniciais de aparente inércia. Inércia, na verdade, que não passou de economia forçada para gerar o saldo bilionário que financiará um pacote de investimentos por toda a capital e tem também a finalidade subjacente de recuperar a imagem do prefeito. O problema é que, para chegar a essa situação de conforto financeiro, Iris promoveu cortes radicais de gastos, inclusive quanto a manutenção não só dos dois maiores viadutos goianienses, como de todos os demais, inclusive pontes, em um total de 68 unidades que estão em petição de miséria, segundo levantamento do CREA-GO.

 

É claro que vocês, leitora e leitor, ao passar por esses dois grandes viadutos, já notaram o péssimo estado em que se encontram, com a ferrugem tomando conta dos espetos que tentam infrutiferamente agulhar o céu, sem falar nas placas amassadas, pixações, desgastes nas paredes cimentadas e corrosões de todo tipo (e, à noite, parte da iluminação queimada). Teimosamente, Iris não manda fazer o conserto, mesmo o site da prefeitura anunciando ufanisticamente que se tratam dos dois mais conhecidos cartões postais de Goiânia. Na prática, os viadutos necessitam de uma conservação permanente e não eventual, pelas suas características que extrapolam o simples aspecto rotineiro de ponto de passagem do tráfego da cidade. É uma pena.