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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

25 abr

Daniel Vilela errou tragicamente ao não compor com Caiado e levar o MDB ao pior resultado da sua história em Goiás. A conta agora chegou e o preço que ele está pagando é bem mais alto que o imaginado

A candidatura de Daniel Vilela ao governo do Estado, tendo como base um partido rachado e como aliadas legendas que só levaram o apoio pessoal dos seus dirigentes, pode ser definida agora, já perto da marca de oito meses desde a data do pleito, a 7 de outubro do ano passado, como um erro de consequências trágicas para o jovem filho de Maguito Vilela e seus poucos seguidores.

 

Daniel Vilela era estrela em ascensão no Congresso Nacional. Relatou matérias de importância como a reforma trabalhista e chegou até a presidir a Comissão de Constituição e Justiça, a mais destacada da Câmara Federal. Essa sólida carreira parlamentar estava apenas no início e tinha continuidade garantida, já que a reeleição como deputado federal seria um passeio. Isso virou fumaça. Só que os prejuízos não se limitaram a essa simples interrupção de uma trajetória de sucesso.

 

Uma composição com Ronaldo Caiado, desde sempre o candidato destinado a vencer a corrida pela governadoria, teria dado a Daniel Vilela a vice-governadoria e o colocado para brilhar no palco da política estadual, anos-luz à frente de quem ficou com a vaga, o contido e reservado Lincoln Tejota. Ele poderia também ter sido candidato a senador, no lugar de Jorge Kajuru e não se duvida de que seria eleito. Se alguém acha que fazer essas afirmações em retrospectiva parece fácil, sim, é mesmo. Porém, mesmo na época anterior à eleição, também era igualmente seguro prever a vitória de Caiado e dos seus dois senadores, como estão aptos a atestar os leitores das postagens deste blog naquele período.

 

Daniel Vilela preferiu arriscar a candidatura a governador, enquanto pelo menos a metade do MDB (com os seus  cinco principais prefeitos) debandava para o caiadismo. Ganhou o apoio do PP, do PRB e do PHS, contudo,  por imposição dos diretórios nacionais. Resultado: só os dirigentes dessas agremiações se alinharam com ele, não levando nenhum deputado, prefeito, vereador ou qualquer liderança de expressão. Com Caiado monopolizando a atenção do eleitorado como o grande nome da oposição ao Tempo Novo, restou ao emedebista a tentativa de se colocar tanto contra o governo tucano quanto contra o representante do DEM. Obviamente, não colou.

 

Meses depois da derrota, com o menor número de votos da história do MDB em Goiás, com apenas três deputados estaduais eleitos e nem um único federal, Daniel Vilela deve estar começando a se conscientizar do tamanho da sua tragédia pessoal. Raramente aparece no noticiário. Não tem agenda, ou seja, não há aonde ir. Neste ano, tem feito duas ou três postagens por mês nas suas antes movimentadas redes sociais. E só consegue alguma visibilidade quando ataca Caiado, o que até o menos informado dos eleitores enxerga como dor de cotovelo.

 

É de se perguntar, leitora e leitor: para quê serviu a aventura da candidatura sem base a governador? E que diferença teria feito a opção pela composição com Caiado no perfil oposicionista de Daniel Vilela? Foi tudo um equívoco monumental, que agora cai como uma pedra de Sísifo sobre a sua cabeça.