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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

28 dez

Vexame: deputados governistas que votaram contra as reformas alegaram ser defensores do funcionalismo, mas usaram o mandato para distribuir cargos para a parentada e até as próprias mães

O fim de ano trouxe para a política estadual uma revelação espetacular, porém triste: sob a alegação de defender os interesses do funcionalismo público, quatro deputados governistas votaram contra as reformas propostas pelo Palácio das Esmeraldas e aprovadas pela Assembleia, mas na verdade usaram seus mandatos para direcionar cargos com salários polpudos aos seus parentes e, muito pior ainda, nomear até as próprias mães para os postos de maiores vencimentos,

É um vexame como nunca se viu antes. Karlos Cabral, Virmondes Cruvinel e os delegados Humberto Teófilo e Eduardo Prado estão expostos nas manchetes negativas da mídia exatamente porque, escondendo-se atrás da máscara de guardiões dos servidores estaduais, mexiam os pauzinhos nos bastidores para preservar a renda familiar de cada um. Só que não funcionou bem: por pressão da totalidade dos deputados da sua base, o governador Ronaldo Caiado exonerou os indicados pelos parlamentares infiéis. Entre eles, irmãos de Karlos Cabral e Humberto Teófilo e, pasmem, leitora e leitor, as mães de Virmondes Cruvinel e Eduardo Prado.

O que impressiona é que todos são políticos jovens, que frequentemente recorrem ao bordão da “nova política” nas suas manifestações tanto da tribuna da Assembleia quanto falando à imprensa. Pela própria idade e como nomes de renovação, não poderiam jamais trair seus eleitores como o fizeram, mostrando, no dia a dia dos subterrâneos do poder que alcançaram, que não passam de exemplares piorados da “velha política”, trocando favores ou votos por cargos e, no passo seguinte, reservando as melhores benesses para os seus, irmãos cuidando de irmãos e filhos cuidando de mães, porém com dinheiro do contribuinte.

Tudo por tudo, esses quatro deputados saíram-se muito mal: primeiro, porque ficaram contra um pacote de reformas que é essencial para o futuro do Estado, ao cortar regalias que tornam trabalhadores desiguais, ao garantir regalias para os que servem ao Estado em detrimento daqueles da iniciativa privada. Excrescências como o quinquênio ou a licença prêmio, do ponto de vista dessa turma, permaneceriam eternas, pois seriam “direitos” ou “conquistas”, não exceções inaceitáveis. Depois, em razão da pronta reação firme e dura do governador, terminaram carimbados perante a opinião pública como fisiológicos de baixo calão – com o agravante de que a oposição a Caiado na Assembleia aproveitou para tripudiar e anunciar que não tem interesse em receber qualquer um deles, especialmente porque não passariam de “bajuladores que apenas querem manter suas nomeações de 1º grau”.

São notas de R$ 3 reais, chegou a ironizar o deputado Talles Barreto, líder do PSDB.