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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

03 out

Próximo presidente da Assembleia tem agenda pronta desde já: recuperar a dignidade do Poder

Segundo o Jornal Opção, sempre bem-informado, existiriam desde agora 12 pretendentes para a presidência da Assembleia na próxima Legislatura, que se inicia em fevereiro de 2027, a ser composta pelos deputados a serem eleitos nas urnas de outubro de 2026. Dentre os interessados, há desde parlamentares atualmente detentores de cadeiras na Casa, bem como alguns políticos ou mesmo ex-deputados que serão candidatos, mas com grandes chances de conquistar o mandato, a exemplo de Lissauer Vieira, de Rio Verde, que inclusive já comandou o Legislativo estadual por quatro anos (2019 a 2023).

No entanto, doze deputados (ou futuros possíveis deputados) de olho na cadeira principal da Assembleia são até pouco. O cargo vale ouro, ao dar visibilidade máxima para o seu ocupante e ao colocar nas suas mãos um orçamento de milhões e milhões de reais, além de garantir um lugar cativo na mesa das deliberações do poder em Goiás, em intensidade que varia de acordo com a capacidade e a credibilidade de quem vem a ser o escolhido. O já citado Lissauer Vieira mais uma vez merece ser citado: ele foi um presidente que participava de tudo, integrando dia a dia o processo de decisões do governador Ronaldo Caiado em seu 1º mandato – depois de um início nada amigável de relações. Um presidente que teve altura.

 

 

Depois de Lissauer, veio Bruno Peixoto, com um status bem inferior – tanto é que colocou a cabeça de fora como hipótese para a prefeitura de Goiânia, no pleito de 2024, sem que ninguém levasse a sério. Bruno acabou liminarmente descartado por falta de confiabilidade para a base governista que integrava (e ainda integra). Como presidente, coube a ele colocar para funcionar o monumental prédio do Park Lozandes, mesmo hoje ainda não inteiramente ocupado, e, ao mesmo tempo, multiplicar os privilégios que escandalosamente distribuiu aos 41 deputados – SUVs pretas de R$ 400 mil reais (para ele, duas), penduricalhos salariais recordistas em termos de todas as Assembleias brasileiras, quase 60 diretorias para abrigar ex-deputados e apaniguados, sem falar no maior número de comissionados dentre todos os Legislativos do país.

 

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Sob Bruno Peixoto, o prestígio da Assembleia encostou a barriga no chão. Corresponde a uma PEC da Blindagem por semana como protagonista das manchetes negativas da 1ª página de O Popular (e da imprensa nacional). O desgaste é tão grande que torna obrigatório, para o presidente que vier a seguir, em 2027, encarar uma agenda de recuperação da dignidade do Poder. De maior instrumento político em operação em Goiás, palco de jornadas épicas no passado, o que se tem hoje é um Legislativo em que todos os seus membros podem ser listados como baixo clero, sem exceção, todos voltados para um projeto pessoal de reeleição e nada mais. Notem o detalhe, leitoras e leitores: nem sequer postulantes a deputado federal a Assembleia gerou para 2026, com a exceção de Bruno Peixoto, obviamente por cavalgar a máquina à sua disposição para atrair o apoio de dezenas e dezenas de prefeitos e lideranças pelo interior afora – e não por representar ideias, bandeiras políticas ou segmentos sociais.

Em uma situação de normalidade, Bruno Peixoto seria a mais forte cogitação para figurar como vice ao lado de Daniel Vilela. No entanto, ele passa longe. É convicção unânime que puxaria a chapa para trás. Nem sequer é lembrado nas reportagens e articulações que abordam o preenchimento da vaga – a mais arrebatadora da disputa pelo Palácio das Esmeraldas no ano que vem, pela ausência de risco e imenso retorno que oferece. Em matéria de eleições majoritárias, Bruno é malvisto, tendo adquirido a fama de intoxicar tudo o que toca. Antes da presidência da Assembleia, ele não era assim. No posto, expôs o seu verdadeiro tamanho, ao se comprometer com uma exagerada lassidão no trato com o dinheiro público, arrastando para o enxurdeiro os colegas, em um momento da história de Goiás em que o Estado passou a ser respeitado diante da austeridade e do rigor do governador Ronaldo Caiado na chefia do Poder Executivo. Como se vê, o Legislativo não acompanhou.