Onda de críticas e denúncias fragiliza Bruno Peixoto em momento estratégico

O presidente da Assembleia Legislativa Bruno Peixoto enfrenta uma onda de críticas e denúncias, com os jornais de maior circulação, alguns nacionais, revelando quase que diariamente irregularidades graves praticadas na esfera dos seus 41 deputados – uma conduta execrável que tem o apoio incondicional de todos os 41 integrantes da Casa. Não seria exagero concluir que, raras vezes, o Poder esteve tão desgastado, o que vem motivando infrutíferas reuniões dos parlamentares estaduais para coibir os abusos e desvios apontados pela imprensa, envolvendo o desperdício de milhões e milhões em recursos públicos.
Um jornalista, Nílson Gomes, batizou o avião a serviço da Assembleia de Aerobruno. Ele ainda chamou o presidente de Brunostentação, em uma matéria em que relacionou itens do que definiu como “verdadeira farra com o dinheiro do povo”. Enquanto isso, O Popular segue mostrando em edições sequenciais, por exemplo, a falta de limites na contratação de comissionados, hoje acima de cinco mil, quantidade recordista em comparação com os demais Legislativos estaduais e superior ao quadro da Câmara Federal, que conta com 513 deputados. Há ainda mais de 60 diretorias, sem falar em cargos decorativos entregues a apadrinhados com salários superiores a R$ 25 mil mensais. O cabide de empregos é simplesmente “espetacular”.
Nos últimos dias, O Popular passou a focar nas viagens internacionais de parlamentares e diretores por conta dos cofres da Assembleia – e, portanto, dos impostos pagos pela população. Só um deputado, Talles Barreto, gastou neste ano – ou melhor: queimou – R$ 214 mil com dois passeios pelo mundo afora, um em Portugal, França e Itália, de 27 de dezembro de 2024 a 10 de janeiro de 2025, outro novamente em Portugal, mais o Japão, de oito a 23 de julho também deste ano. O deputado José Machado, também em janeiro, foi para Orlando, na Flórida (pasmem: Orlando!), endereço residencial do Mickey Mouse, torrando mais de R$ 70 mil reais. Notem bem, leitoras e leitores: convenientemente, meses de férias. Questionados, nem Talles nem Machado souberam comprovar a utilidade ou o retorno dessas “missões” tanto para a Assembleia quanto para Goiás. Saíram-se com evasivas, tipo “as viagens foram autorizadas conforme as normas da Assembleia”. Atenção: os dois não são os únicos a turistar no estrangeiro por conta das goianas e dos goianos.
Um escândalo. Ou melhor: uma sucessão de escândalos. Bruno Peixoto sentiu a barra pesar e chamou o conjunto da Casa para uma reunião, na qual pediu comedimento com as tais viagens para fora do país. Não adiantou. Novos périplos foram agendados. Agora, o presidente fala em baixar uma rígida regulamentação, para reduzir a zero as excursões ao exterior dos ilustres representantes da sociedade goiana. Já se pode adiantar que não vai dar em nada, que tudo não passa de conversa fiada. A situação moral da Assembleia é tão ruim que torna imperativa, desde já, para o seu próximo presidente, uma pauta de recuperação da dignidade do Poder.
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Tudo vem em um momento estratégico para Bruno Peixoto. Manipulando a poderosa máquina de centenas de milhões sobre o seu controle, ele é candidato a deputado federal, almejando emergir das urnas como o mais votado – um troféu sem brilho e sem mérito, dada a “metodologia” com que será conquistado. Antes disso, no entanto, ele cultiva a ambição secreta de ocupar como vice-governador a chapa de Daniel Vilela, a ser lançada pela base governista. “Nem que a vaca tussa” isso vai acontecer, ressaltam articuladores do MDB e do UNIÃO BRASIL. “Comprometeria e mancharia a campanha, ao abrir um flanco para ataques a partir do extenso currículo de aberrações e falcatruas que Bruno construiu na presidência do Legislativo estadual”, explicam. E com razão. Peixoto tornou-se um elemento tóxico para o meio político em Goiás, espécie de Rei Midas ao contrário. O que ele toca, apodrece.