Força do bolsonarismo em Goiás tem potencial para empurrar Wilder para o 2º lugar
Visto de hoje, o cenário para as eleições de 2026 em Goiás aponta para quatro concorrentes, pelo menos conforme têm aparecido nas pesquisas: o vice-governador Daniel Vilela (MDB-UNIÃO) em 1º lugar, cada vez mais ampliando a sua frente, seguido por um empate triplo no 2º lugar entre o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), o senador Wilder Morais (PL) e a deputada federal Adriana Accorsi (PT). Na última pesquisa Atlas/Intel (credibilidade alta), Daniel ficou com 42 a 43% das intenções de voto, enquanto Marconi, Wilder e Adriana, bem atrás, igualmente marcaram entre 15 e 15%.
Dos quatro, sabe-se que Adriana Accorsi não será candidata ao Palácio das Esmeraldas. Ela tem reeleição assegurada para a Câmara dos Deputados – e por isso o PT não pode abrir mão da sua presença na bancada federal de Goiás, o que joga o partido em um beco sem saída. Ou seja: desde já, fica fácil cravar que os petistas não terão um nome competitivo para disputar o pleito para governador em Goiás e serão provavelmente obrigados a lançar um zé-mané qualquer, apenas para figuração e garantia de palanque mínimo para a campanha de Lula (ou de quem quer que o substitua). Composição com outras legendas, nem pensar: o PT só levaria desgastes em um Estado onde o conservadorismo é a força política predominante.
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A briga pelo 2º lugar e por uma eventual chance de enfrentar Daniel Vilela no 2º turno, portanto, parece restrita a Marconi e Wilder. Com o apoio do governador Ronaldo Caiado e seus 88% de aprovação popular e com o respaldo de uma conjunção poderosa de forças políticas e partidárias, Daniel é o favorito, o que, de resto, é confirmado pelas pesquisas que começam a ser publicadas. Nessa toada, ele vai até o dia das urnas, ou seja, não há nada para sustentar a hipótese de que poderia perder o embalo e a condição de alternativa número um para a sucessão de Caiado. Se há alguma dúvida, é mesmo sobre a 2ª posição. Marconi ou Wilder? Hoje, eles estão no mesmo patamar, quais sejam os 15 a 15,5% das intenções de votos, para os dois, apontados pela Atlas/Intel.
Isso não deve ficar assim por muito tempo, no entanto. A comparação entre um e outro é francamente desfavorável para… Marconi. Começa pela rejeição altíssima do tucano, passa pelo seu isolamento à testa de um partido em frangalhos, sombra esmaecida do que foi no passado, e chega ao que, simbolicamente, o ex-governador representa: um retorno aos tempos de antanho, tal qual se viu no discurso que fez no lançamento da sua candidatura, quando mais uma vez reafirmou que só sabe olhar para trás. Wilder, daí, tem mais gás. É um cabeça oca, sem ideias e propostas, mas conta com a inegável força do bolsonarismo em Goiás – Estado que as pesquisas dizem ser o mais bolsonarista e o mais direitista do país.

Marconi não tem como crescer. As suas intenções de voto fixaram-se nesses 15 a 15,5% e pronto. Wilder ainda dispõe de alguma margem, já que a faixa bolsonarista radical do eleitorado goiano oscila entre 17 e 20% (pesquisa Genial/Quaest). Dá para concluir, com quase certeza, que o senador tende a ocupar espaço e se consolidar no 2º lugar, com chances de ir para um possível 2º turno com Daniel Vilela (que, por ora, não está projetado porque os sinais de que Daniel pode vencer no 1º turno são fortes). Aproveitando-se do capital bolsonarista, Wilder deve abrir vantagem sobre Marconi no 2º lugar, porque para ex-governador não há sequer um santo ao qual rezar. Vejam bem, leitoras e leitores: tudo isso se Marconi for até o fim com a obsessão de participar da corrida pelo Palácio das Esmeraldas. O tucano está tão fragilizado que pode, no final das contas, optar por uma cadeira na Câmara dos Deputados – essa, sim, uma eleição com chances de vitória para ele.