Beneficiário de 2 milagres, Wilder Morais sonha com o terceiro
O milionário diletante Wilder Morais é um homem afortunado. Gastando relativamente pouco das suas posses, conseguiu passar pouco mais de seis anos empoleirado na preciosa cadeira de senador por Goiás, depois de assumir em 2012 como primeiro suplente após a cassação de Demóstenes Torres logo no início do mandato. Foi um milagre. Por conta própria, Wilder mal se elegeria vereador por Taquaral, a corrutela onde nasceu. Mas em seguida veio o segundo milagre: em 2022, concorrendo com uma miríade de candidatos, arrebatou nas urnas outra prebenda senatorial, beneficiado por uma onda bolsonarista que se espalhou pelos Estados brasileiros e fez a maioria dos senadores naquela eleição.

Dois milagres, portanto. O mesmo que um raio caindo duas vezes na mesma árvore, coisa que a sabedoria popular informa ser impossível. Ainda mais lembrando: sob qualquer critério de capacitação e preparo, Wilder nunca teve e continua sem ter nem mesmo as mais mínimas credenciais para subir aos píncaros onde… está aboletado hoje. Só que ele chegou lá carregando uma espécie de pecado original: é um senador eleito com votação pífia, proporcionalmente falando (apenas 700 mil e poucos sufrágios em uma população superior a sete milhões, o que garante a ele o título de campeão da baixa representatividade parlamentar desde que a princesa Isabel foi nomeada a primeira senadora do Brasil, por direito dinástico).
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A escolha de Wilder: enfrentar um desafio para o qual não está preparado ou compor com Caiado
Seria de se esperar que, sentado na mais alta Câmara Legislativa do país, Wilder Morais tivesse uma certa consciência da extrema importância da responsabilidade e, dentro das suas parcas possibilidades, viesse a pensar em oferecer um pingo de retorno para Goiás (falar no Brasil seria demais). Só que, de onde se espera que não saia nada, daí é que definitivamente não vem nada. Em quase 10 anos como senador, ele jamais chamou atenção por uma ideia, uma iniciativa ou sequer uma frase inteligente condizente com a missão institucional recebida. Como um zero à esquerda, seria inofensivo, porém dá sinais de que pretende se candidatar a governador, em 2026, o que, aí sim, representa algum risco para as goianas e os goianos. O terceiro milagre – ou o terceiro raio na mesma árvore – que Wilder pretende seria danoso para o Estado, mesmo porque, desde já, ao apregoar a vontade de conquistar o Palácio das Esmeraldas, não foi capaz de apresentar uma única proposta para o futuro ou de ao menos mencionar um ou outro detalhe sobre a sua visão para Goiás. E ninguém acredita que seja.
Políticos oriundos do meio empresarial em nenhum tempo deram certo na cronologia política de um Estado que é reconhecido pela qualidade das suas lideranças essencialmente formadas no ambiente político, haja vistas ao exemplo de Pedro Ludovico, Mauro Borges, Iris Rezende, Henrique Santillo, Marconi Perillo, Maguito Vilela e Ronaldo Caiado. Em uma galeria como essa, gente de cabeça vazia como Wilder Morais não merece espaço. E o pior é que não se esforça para mostrar comprometimento com as bandeiras populares ou com os segmentos sociais, levando na flauta o mandato no Senado como um fim em si mesmo. Nunca houve um governador eleito em Goiás com esse perfil deletério, ao contrário: podem anotar, leitoras e leitores, a história ensina que nem por milagre haverá um.