Espaço na chapa de Daniel para Ana Paula disputar o Senado simplesmente não existe
A candidatura ao Senado da filha de Iris Rezende, a advogada Ana Paula Rezende Craveiro, caiu de paraquedas na base governista. Quer dizer: saiu do nada, uma vez que a própria Ana Paula sempre fez questão de manter distância de qualquer embate eleitoral e de repente passou a assombrar as articulações que vinham se desenvolvendo para uma aliança com o PL, pela qual a sigla apoiaria Daniel Vilela para governador (abrindo mão da concorrência representada pelas pretensões do senador Wilder Morais) em troca da 2ª vaga senatorial para o deputado federal Gustavo Gayer (repetindo que o 1º lugar é imexível e pertence à primeira-dama Gracinha Caiado.
Mas a moça mudou de opinião. De repente, resolveu se colocar como pré-candidata. Bem ao estilo do pai, esperou ser convocada para a missão, só que ninguém se lembrou dela, nem no MDB nem dentro da aliança partidária comandada pelo governador Ronaldo Caiado. Com a aceleração das articulações para trazer o PL e fechar a chapa com Gayer, Ana Paula subitamente colocou o bonde na rua – invocando um suposto compromisso com o legado político tanto do pai (Iris) quanto da mãe (d. Iris).
Vamos lá: não houve empolgação alguma depois que Ana Paula anunciou a intenção de entrar na corrida senatorial. Ao contrário, o que há é apreensão. Em princípio, não existe espaço disponível para um projeto (pessoal) como esse na escalação já programada para 2026 pelo eixo formado pelo MDB e pelo UNIÃO em Goiás. Simples: com o MDB na posição principal ou Daniel para o governo do Estado, com Gracinha na 1ª vaga para o Senado, pelo UNIÃO, torna-se muito conveniente atrair para 2ª vaga um nome capaz de acrescentar votos e especialmente de ampliar o raio ideológico e político da chapa – não há garantia melhor para isso do que o PL e Gustavo Gayer, ao carregar junto o imenso e fiel eleitorado bolsonarista de Goiás. Trocar essa indiscutível vantagem pelo preenchimento da 2ª vaga por mais do mesmo, ou seja, por mais um emedebista, não parece ser boa coisa.

Ana Paula, o que acrescenta? A memória de Iris, indiscutivelmente. Rende votos? Polêmico. Iris foi derrotado nas três últimas eleições estaduais sucessivas que disputou: 2002, para senador, e 2010 e 2014 para governador. Nesse interregno, venceu várias, para prefeito de Goiânia. Uma explicação é que o velho cacique foi “punido” pelos escândalos do antigo MDB – e não foram poucos – na administração do Estado. Para a capital, algo mais limitado, ganhou. Para Goiás, com toda a sua grandeza, perdeu.
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Esse é o ponto, aliás, que está complicando a implantação do Memorial Iris Rezende, concebido pela família e ardorosamente defendido por Ana Paula, para funcionar em um prédio público, com recursos públicos. Não faz muito sentido. Essas três derrotas de Iris comprovam que ele não é visto pelas goianas e goianos como uma espécie de “pai fundador” do Estado, ao contrário de Pedro Ludovico, o construtor de Goiânia, que é tema de um museu na casa onde morou na rua 10, posteriormente comprada e hoje mantida elo Erário.
Ainda que o entendimento entre a base governista e o PL não prospere, ainda assim a inclusão de Ana Paula ao lado de Gracinha, nas duas vagas senatoriais, parece mais atrapalhar do que ajudar, pela ausência de histórico eleitoral, pela já dita repetição de um emedebista e pela total carência de sustentação política, dado que foi ela própria que se lançou, sem maiores repercussões, a não ser declarações formais de Daniel Vilela, correto na postura de se mostrar amigável e interessado em mais uma alternativa para o seu bloco em 2026 (e evitar crises desnecessárias). Para a filha de Iris, uma vaga na Câmara Federal seria ideal como o primeiro e humilde passo para uma carreira parlamentar quem sabe rumo a alturas futuras.