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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

26 nov

Irresistível: onda pró-composição com Daniel Vilela cresce dentro do PL goiano

Fato: as bases do PL em Goiás são hoje majoritariamente a favor de uma composição com o governador Ronaldo Caiado para apoiar a candidatura do vice Daniel Vilela ao Palácio das Esmeraldas. É público e notório. Ponto final. Uma primeira e principal justificativa é o fortalecimento do deputado federal Gustavo Gayer como postulante ao Senado, ocupando a 2ª vaga da chapa governista ao lado da primeira-dama Gracinha Caiado e atendendo a uma prioridade determinada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, qual seja a de eleger uma maioria na mais alta Câmara Legislativa do país à altura de aprovar o tão sonhado – pelo bolsonarismo – impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Ao lado de Gracinha, hoje favoritíssima, Gayer seria imbatível.

 

 

Não é só. Ocorre que, dentro do PL, a candidatura a governador do senador Wilder Morais não empolga. Não, mesmo. Ele é um bolsonarista de oportunidade, sem capacidade de articulação política ou preparo intelectual ainda que mínimo, ao contrário, por exemplo, do próprio Gustavo Gayer. Jamais enfrentou embate ideológico da direita radical no Congresso Nacional nem nunca o fará. Em declarações ao Jornal Opção, um amigo íntimo do Jair, o secretário de Cultura da prefeitura de Goiânia Uugton Batista definiu com objetividade a situação atual do PL em Goiás e onde entram tanto Gayer quanto Wilder. Vale a pena conferir textualmente a sua análise:

1) “Os membros do PL precisam ser pragmáticos. Na eleição de 2024, na disputa das prefeituras de Aparecida de Goiânia e de Goiânia, o partido perdeu por falta de realismo, ao não compor com legendas de ideologias semelhantes, com o UNIÃO BRASIL e o MDB. Se repetir o erro em 2026, aí, pelo amor de Deus, já será masoquismo”.

2) “Veja só: em Goiás o nome forte do bolsonarismo, em termos de votos, é Gustavo Gayer. O que se pode dizer é: sem Gayer, Wilder Morais não existe. Então, acrescento: por que Gayer irá sacrificar seu imenso capital eleitoral apostando num candidato a governador que não tem carisma, não é popular e não tem apoio na capital e no interior? O prefeito mais importante do PL, Márcio Corrêa, que faz uma gestão séria e focada em Anápolis, já está com Daniel Vilela e, claro, com Gayer”.

3) “O projeto político de Wilder Morais é pessoal, não é do PL, não é de Jair Bolsonaro, não é dos prefeitos, não é de Gayer, não é de Major Vitor Hugo e tampouco é dos eleitores goianos. Wilder foi eleito senador na onda bolsonarista. Sem o bolsonarismo, não se elegeria vereador em Goiânia. Bolsonaro agora quer um senador com ‘sangue nos olhos’ em sua defesa e na defesa do bolsonarismo — o que, a rigor, Wilder Morais não dá conta de fazer em Brasília e na mídia nacional, mas, para Gayer, é coisa fácil e natural”.

Atenção, leitoras e leitores: esse é o pensamento dominante dentro do PL estadual, de cabo a rabo, apenas não externado pela maioria das lideranças do partido por um senso de estratégia: não enfraquecer a legenda em uma negociação com a base governista e alcançar o maior retorno possível no acordo para subir no palanque de Daniel Vilela. Vai sair daí a definição quanto as eleições de 2026: ninguém quer ir com o tíbio e frágil Wilder Morais, todos apostam na força de Gayer para o Senado e por isso o desfecho não pode ser outro senão o engajamento na campanha de Daniel, com todas as vantagens daí provenientes, também para os candidatos proporcionais (Assembleia Legislativa e Câmara Federal).

 

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A candidatura de Wilder Morais a governador, portanto, não passa de encenação. O que vale mesmo para o PL em Goiás é a missão delegada pelo Jair: enviar Gayer para o Senado, onde está destinado a um papel relevante na ampliação do espaço político da direita radical e na conquista dos seus objetivos prioritários, entre os quais, vale repetir mais uma vez, a aprovação do sonhado impeachment de membros do STF. Bolsonaro já analisou os boletins de votação de Wilder e viu que, a cada 3 manifestações, apenas uma é contra o governo do PT. Gayer, na Câmara, só se posiciona contra, 100% das vezes. Resta que, para o bolsonarismo estadual, a sua eleição é a prioridade das prioridades, atendendo ao comando do ex-presidente no momento encarcerado, mas ativo na tomada de decisões do PL. Para 2026, tudo indica que Wilder é carta fora do jogo – ou dentro, se subir no palanque de Daniel Vilela.