Há 8 anos, Kajuru era eleito senador cercado de expectativas… que não deram em nada

Há oito anos, o polemista profissional e apresentador Jorge Kajuru recebia 1.6 milhão de votos das goianas e goianos e se elegia para o Senado da República – depois de uma campanha, integrando a chapa liderada pelo governador Ronaldo Caiado, em que incorporou a identidade do anti-Marconi Perillo, um dos seus adversários na disputa pelas duas vagas senatoriais então à disposição. Marconi, em meio a um inferno astral de escândalos e operações policiais, acabou caindo para o 5º lugar, com uma humilhante votação – 400 mil votos – correspondendo a quatro vezes menos que Kajuru.
Vanderlan Cardoso também foi eleito. Ele e Kajuru sinalizavam uma renovação brutal para a bancada de Goiás na mais alta Câmara Legislativa do país, mesmo porque seriam nomes com pouca identificação com a “velha política” (Vanderlan nem tanto). Kajuru, um debatedor nato, com ótima capacidade de expressão, língua afiada e ideias novas na cabeça, prometia um desempenho à altura de honrar as tradições do Estado no Senado – uma linha histórica de alto nível construída por figuraças como Pedro Ludovico, Mauro Borges, Henrique Santillo, Iris Rezende, Maguito Vilela e Ronaldo Caiado. A própria imprensa nacional avaliou o então recém-vitorioso senador como alguém destinado a brilhar na Legislatura a se instalar em 2019.
Mas o tempo, sempre o verdadeiro senhor da razão, passou e sequer um fiapo dessas expectativas se confirmou. Kajuru empossou-se, mudou-se para Brasília e nunca mais colocou os pés em Goiás. Apequenou-se e apagou-se. Da sua boca, em uma tribuna de imensa repercussão institucional, jamais saiu qualquer contribuição para o eleitorado que o consagrou. Ou para as brasileiras e brasileiros, no geral. Se fez algum discurso, ninguém tomou conhecimento. Projetos, zero, a não ser uma bobagem midiática para acabar com a reeleição para cargos executivos, daquelas que vão para um escaninho no Congresso e lá adormecem em plácido esquecimento. Aparentemente, o peso moral, social e político do Senado foi demais para Kajuru. Ele vergou, assumindo um papel decorativo muito abaixo das esperanças que cercaram a sua eleição.
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Na busca desesperada de uma saída, sem entender qual a real missão de um senador, Kajuru agarrou-se à distribuição aleatória de emendas orçamentárias, enviando dinheiro federal para os municípios através de intermediários, sem disposição para aparecer pessoalmente ao menos para uma fotografia ao lado dos prefeitos beneficiados. E assim murchou até virar uma pálida sombra de tudo o que poderia ter sido como senador, em um caso sem precedentes de parlamentar eleito para representar Goiás que se transformou em um triste exemplo de desleixo e apatia no exercício de um mandato legislativo. Não poderia dar em outro resultado: uma recondução, no pleito deste ano, tornou-se simplesmente impossível. De resto, mal pontua nas pesquisas, com exceção das tabelas de rejeição, que lidera, citado em massa pelos entrevistados diante da pergunta: “Em quem você não votaria de jeito nenhum para o Senado?”.
Consolidando esse final amargo e melancólico e reconhecendo o saldo negativo da sua passagem pelo Senado, Kajuru, há poucos dias, disse a um repórter da Folha de S. Paulo que planeja retomar a profissão de radialista. É o que sobrou e não se sabe se haverá interessados.