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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

28 jan

Nada de importante muda em Goiás com Caiado no PSD

A filiação do governador Ronaldo Caiado ao PSD não tem grandes repercussões em Goiás. Daniel Vilela segue sólido com a sua candidatura a governador, bem como a articulação com o PL para um acordo com a base governista e formação da chapa senatorial com Gracinha Caiado na 1ª e Gustavo Gayer na 2ª vagas. Gracinha, aliás, permanece no UNIÃO BRASIL, provavelmente como nova presidente estadual do partido. E o vice de Daniel continua sendo uma definição reservada para o futuro.

 

 

Mais algum reflexo? É aí que se situam Vanderlan Cardoso e Gustavo Mendanha. Hoje no PSD, ambos ambicionavam disputar as duas vagas senatoriais disponíveis. Vanderlan, sonhando mais alto, colocou-se até como pretendente a se enfileirar com Gracinha Caiado, na chapa de Daniel Vilela, algo que ninguém levou a sério. Em princípio, tudo isso caiu por terra e, à primeira vista, a melhor sugestão que se tem para Vanderlan e Mendanha é que aceitem a realidade e se destinem à corrida por cadeiras na Câmara dos Deputados. Cá entre nós, nenhum dos dois contava mesmo com chances de se viabilizar para o Senado, menos ainda ocupando a 2ª vaga da base governista ao lado de Gracinha.

 

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O caso de Vanderlan é pior porque ele está tomando uma derrota e tanto, mais uma. Duplamente fracassado na última eleição municipal (ele em Goiânia e a esposa Izaura Cardoso em Senador Canedo), com a importância reduzida pelo final de um mandato senatorial medíocre e sem perspectivas de reeleição, foi notificado em tom apenas formal pelo presidente nacional Gilberto Kassab da chegada de Caiado, com um detalhe constrangedor: o governador goiano é o novo presidente estadual do PSD. Kassab, de resto, nunca escondeu a sua opinião de que Vanderlan e Mendanha deveriam se candidatar a deputado federal, dentro da prioridade que 100% das siglas brasileiras dão para a conquista de bancadas volumosas na Câmara para assegurar acesso a maiores cotas dos fundos partidário e eleitoral.

Atenção: Mendanha, com uma base eleitoral forte e bem delineada em Aparecida e parte de Goiânia, é uma aposta quase certa para a bancada federal de Goiás, enquanto Vanderlan… infelizmente não. O senador, mesmo campeão da distribuição de tratores, caminhões, ônibus e ambulâncias para os municípios, não montou uma rede objetiva de apoios para uma eventual eleição proporcional. Sem estrutura no interior, teria que enfrentar uma campanha baseada em recursos financeiros, coisa da qual ele tem horror pela sensação desagradável de estar colocando em risco o patrimônio familiar.

Se, antes, Vanderlan como presidente regional poderia arrastar o PSD para alguma aventura, caso se sentisse excluído do palanque da base governista, esse risco agora se extinguiu. Com Caiado no comando, a legenda fecha automaticamente com Daniel Vilela, acrescentando seu precioso tempo no horário de propaganda eleitoral gratuita. Vanderlan fica sem nada nas mãos, perto de um zero à esquerda. É o preço pela inconstância da sua vida errática na política, marcada pelas traições e pelo estilo equivocado de tentar construir uma carreira focada somente em interesses pessoais, sem lealdades ou fidelidades. Se tivesse lido as biografias dos líderes maiores da humanidade, ele saberia que esse caminho é o contrário para chegar a um desfecho enobrecedor.