Acordo entre a base governista e o PL simplesmente define as próximas eleições

O acordo – em “fase terminativa”, segundo o governador Ronaldo Caiado – entre a base política do Palácio das Esmeraldas e o PL, para oficializar a chapa Daniel Vilela para o governo estadual e Gracinha Caiado e Gustavo Gayer para as duas vagas no Senado, tem potencial para definir desde já o resultado das próximas eleições em Goiás. A composição, hoje ao alcance da mão, simplesmente elimina a hipótese de oposição de algum peso à candidatura de Daniel. Restaria o enfraquecido projeto de retorno do ex-governador Marconi Perillo, à testa de um PSDB esfrangalhado e sem apoios relevantes, e a participação pro-forma da esquerda arrastada pelo PT, que sequer conta ainda com um nome ungido e aguarda as decisões da cúpula nacional para se posicionar no Estado – sem competitividade, qualquer que venha a ser o desfecho.

Caiado e o próprio Daniel já avançaram e muito nas tratativas com todos no PL estadual (leia-se: Gayer) e com quem interessa no PL nacional (o filho-candidato a presidente Flávio Bolsonaro, que buscou e obteve o aval do pai Jair). A concordância com a aliança é geral. Wilder finge espernear, mas não convence. Falta autoridade moral para se contrapor a uma orientação do próprio ex-presidente encarcerado, que tem como meta para as urnas deste ano a formação de uma maioria no Senado capaz de aprovar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal e de fortalecer institucionalmente o conservadorismo no país. Como bônus, enquadrar o apoio de Caiado a Flávio Bolsonaro, ainda que, no 1º turno, o governador goiano mantenha a sua pretensão presidencial – talvez até através de um palanque duplo, como Caiado chegou a cogitar.
De resto, Wilder se mostra como um homem que, mesmo tendo surpreendentemente obtido um mandato tão superior como o senatorial (eleito com uma mixaria de votos, menos de 750 mil em um eleitorado de 4,4 milhões), sempre se mostrou incapaz de atrair a confiança da classe política e de segmentos da população quanto à sua competência: como seguir um político em quem tão pouca gente acredita, alguém que não lidera, que não se apresenta para ser considerado, que não diz em público o que pensa, se é que pensa. Um candidato, enfim, sem ideias na cabeça, oportunista na sua filiação ao bolsonarismo e em decorrência de tudo isso sem expectativas de vitória.
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Wilder: como alguém sem ideias pode pretender o governo de Goiás?
O PL na campanha da base governista em Goiás é um movimento histórico de aglutinação de forças, quase irresistível, unificando a direita no Estado e gerando um eixo de poder sem precedentes e de certa forma esmagador, pois, como dito, a oposição, já fraquíssima, praticamente desaparecerá. Uma consequência previsível será a retirada do nome de Marconi da “disputa” pelo governo do Estado, dada a completa e absoluta inviabilidade, e a sua remessa para a eleição proporcional de deputado federal, assegurando um espaço mínimo de sobrevivência política. Em aberto, fica a indicação do vice que acompanhará Daniel Vilela, escolha exclusiva de Caiado e fundamental para consolidar o DNA caiadista da chapa. Além da vaga no Senado para Gayer, o PL tem manifestado interesse pela posição, mas dificilmente levará.