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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

11 fev

Dia 14: o que Wilder vai ouvir de bom e de ruim do Jair encarcerado

Aproxima-se a data da visita do senador Wilder Morais ao ex-presidente Jair Bolsonaro, devidamente autorizada pelo ministro Alexandre Moraes e marcada para o dia 14 de março, entre 11h da manhã e 14h da tarde, com duração máxima de uma hora. Como todos sabem, será na Papudinha, em Brasília, onde o ex-presidente cumpre resignado a sua pena de 27 anos e 3 meses de prisão em um pequeno apartamento térreo.

Atenção: o encontro depende da saúde de Bolsonaro. Se houver alguma recorrência para a infinidade de males de que padece, será obrigatoriamente cancelado ou adiado. Wilder, a propósito, anda tenso. Em um evento do PL em Buriti Alegre, há poucos dias, fez um discurso em que atropelou as próprias palavras tal o nervosismo. Algumas frases soaram incompreensíveis, sob pressão da guilhotina que se desenha no horizonte.

 

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Isso porque a reunião com o Messias aprisionado tem tudo para fulminar de vez a candidatura de Wilder Morais ao governo do Estado, já frágil por natureza. No PL, fora o senador e alguns gatos pingados, ninguém está disposto a embarcar em uma aventura, abandonando os resultados sólidos que estariam garantidos com o acordo entre o partido e a base governista, pelo qual o deputado federal Gustavo Gayer ocuparia a 2ª vaga ao Senado, ao lado da primeira-dama Gracinha Caiado, na chapa de Daniel Vilela. Gayer sairia com o novo mandato praticamente confirmado e os demais candidatos do PL a deputado estadual e federal ganhariam um palanque vigoroso, com acesso ilimitado ao maior contingente do eleitorado por esse Goiás afora.

Onde entra o Jair nessa história? Primeiro, é ele quem dá a palavra final quanto a qualquer decisão do PL, nacional ou estadualmente. Segundo, e mais importante, o projeto de poder do bolsonarismo, enquanto o seu líder máximo amarga a cadeia, assumiu como prioridade conquistar maioria no Senado para, a partir de 2027, aprovar o sonhado impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Em dando certo o arranjo entre a base governista e o PL, a bancada goiana passaria a contar com dois senadores 100% comprometidos com a ultradireita (Wilder e Gayer) e uma senadora de perfil democrático ou de centro-direita, no caso Gracinha. Três votos a favor – valiosíssimos.

A expectativa, daí, é que Bolsonaro vai cumprir o script já antecipado através do seu filho-candidato a presidente Flávio Bolsonaro, em conversas com o governador Ronaldo Caiado e com o coordenador da campanha de Flávio e senador Rogério Marinho. Quer dizer, em Goiás o PL não lançará ninguém para o Palácio das Esmeraldas, optando por se abrigar na chapa de Daniel Vilela para assegurar o mandato senatorial para Gayer. É tiro e queda. Por isso, não compensa correr riscos com Wilder, um candidato a governador sem sal, ruim de discurso e pior ainda em matéria de propostas e ideias para apresentar à população – coisa que ele, até hoje, se revelou absolutamente incapaz de fazer.

 

 

Não há quem acredite que Wilder teria peito para engrossar o tom com Bolsonaro e de alguma maneira desafiar a sua orientação insistindo em continuar com o seu projeto político pessoal à revelia das bênçãos do ex-presidente. Nunca. De resto, o Jair também é habilidoso e tende a passar a mão na cabeça do senador, sinalizando com vantagens futuras – e a maior delas estaria em um ministério, integrando a equipe de um Flávio Bolsonaro de repente com assento no Palácio do Planalto. Mas, se passar por tudo isso e audaciosamente prosseguir na corrida pelo trono da Praça Cívica, Wilder, para usar a linguagem machista do bolsonarismo, mostrará que é homem com H. Mais ainda face a face com Bolsonaro. Como ele deve tudo ao movimento que agarrou oportunisticamente e nunca foi capaz de defender com competência ainda que mínima, vai aceitar – e calado – o veredito do mito.