Blefe de Wilder para “ver o que tem a ganhar” pode acabar irritando o Jair
Enquanto as conversações entre a base governista e o PL estadual e nacional se aprofundam, na direção de uma composição para engajar o partido na campanha de Daniel Vilela em troca da 2ª vaga senatorial para Gustavo Gayer, ao lado de Gracinha Caiado, Wilder Morais continua, vez em quando, a dizer que não abre mão e que é candidato ao Palácio das Esmeraldas.
Alguma coisa não está batendo. Os Bolsonaros, por orientação do pai Jair repassada ao filho Flávio Bolsonaro e levada ao governador Ronaldo Caiado, já deram o sinal verde para o acordo, que multiplica as possibilidades de Gayer para o Senado – onde cumpriria a missão de se integrar à maioria necessária para declarar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, verdadeiro sonho dourado do ex-presidente encarcerado. Estadualmente, todo o PL também é a favor do ajuste, que proporcionaria um palanque robustecido para o time de postulantes a deputado federal e estadual. Por que Wilder ainda esperneia?

Existem segredos na política, sim, mas o caso de Wilder Morais não configura um. É óbvio que o senador está valorizando a sua posição para, como diz o jargão corrente nos bastidores, “ver o que tem a ganhar”. Atenção: trata-se de uma cartada perigosa. Afrontar o interesse dos Bolsonaros, dentro do PL, traz riscos. Até um certo limite, eles podem aceitar o jogo, daí a criar problemas para as ambições do chefe do clã é outra estória. Gayer pode se eleger fora da chapa de Daniel Vilela, mas participando dela teria o mandato praticamente garantido. Nessa hipótese, ele receberia o 2º voto, reforçando a faixa de mais ou menos 20% que já tem como 1ª opção e – vapt vupt – seria só correr para o abraço.
Esse é o ponto: para o bolsonarismo, um senador como Gayer vale ouro. Ele é fiel até a raiz dos cabelos e não tem receio de assumir qualquer radicalismo. Ao contrário de Wilder Morais, que está completando quatro anos no Senado e nunca pediu um reles aparte, quanto mais fazer um discurso, em defesa do Jair. Ele é um bolsonarista de ocasião, que usou o movimento para se eleger em 2022 sem nunca ter apresentado uma iniciativa que seja a favor do conservadorismo no Brasil. É provável que nem saiba o que é isso. Afinal, é um empresário – cujos negócios são cobertos por um manto de mistério – cujo ofício é ganhar dinheiro. Acidentalmente, tornou-se senador da República, sem ter preparo para um mandato de vereador em Taquaral, sua terra natal.
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Se esbarrar nos planos dos Bolsonaros, o vaivém de Wilder vira-se contra o próprio. Se for um blefe – e parece ser – tende a deixar o senador em palpos de aranha. A meta – a conquista de maioria na mais alta Câmara Legislativa – é muito séria para se submeter a vaidades, ainda mais em se tratando de um “candidato” a governador que aparece em 3º lugar nas pesquisas, às vezes em 4º, empatado com Adriana Accorsi, do PT (ela não estará na disputa). Não é só. Wilder assemelha-se a um balão vazio e absolutamente carece de qualidades de liderança, ideias na cabeça ou propostas consistentes para Goiás. Para o Brasil, jamais (repetindo: ele não tem consciência do papel de um senador).
Bolsonaro, o filho Flávio, o senador Rogério Marinho (um homem equilibrado, que, mesmo em 1º lugar nas pesquisas, renunciou à candidatura a governador no seu Estado, o Rio Grande do Norte para coordenar a campanha de Flávio), já bateram o martelo pelo acordo em Goiás, relembrando, para facilitar a ascensão de Gayer ao Senado – o objetivo maior. Wilder, mesmo assim, investe na sua marolinha. Pode se dar mal? Pode, porque ele está perigosamente testando um prestígio que não tem dentro da direita nacional bolsonarista. Nos próximos dias, toda essa embromação chegará ao final.