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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

30 jan

Com PL e PSD, palanque de Daniel Vilela está pronto para a campanha e será poderoso

A incorporação do PL e do PSD, através de movimentos na esfera da política nacional articulados pelo governador Ronaldo Caiado, praticamente concluiu a montagem do palanque do candidato ao Palácio das Esmeraldas da base aliada Daniel Vilela. Está tudo pronto para a busca da maioria nas urnas de outubro próximo, pelo menos em termos do que realmente importa para uma campanha com força e vigor para garantir uma vitória – para a qual Caiado, em uma metáfora impressionante, anunciou estar disposto a dar “a própria vida”.

 

 

Daniel Vilela contará com uma estrutura de partidos talvez nunca vista antes no Estado. Todas as legendas de peso em Goiás e no Brasil estarão ao seu lado, com exceção do PT e do PSDB. O PSDB, pelas suas tradições, ainda tem algum gás, porém não é mais uma legenda de expressão, nem aqui nem lá fora. Daí que simplesmente inexistirá uma oposição capaz de um enfrentamento à altura. O ex-governador Marconi Perillo fala em concorrer ao governo, mas é preciso reservas quanto a isso, mesmo porque faltará tudo a ele e ele estará sozinho na raia. Optar por postular um mandato de deputado federal seria mais seguro e traria a chance de refundar a sua biografia política.

Mas é Marconi quem sabe da sua vida e o que vai fazer do seu futuro. O certo, por ora, é que não há perspectivas de mais candidatos contra Daniel além do tucano e de um petista. Este, fatalmente será um nome sem densidade eleitoral porque a sigla necessita desesperadamente de lançar seus melhores quadros para tentar alcançar uma bancada federal razoável e continuar acessando fatias gordas dos fundos partidário e eleitoral, obsessão, aliás, não apenas do PT, mas de todas as agremiações em operação no país.

 

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O PL chega como desdobramento da visão pragmática do Jair e dos seus representantes, todos interessados em formar maioria no Senado que terá dois terços em disputa neste ano. Caiado ofereceu a 2ª vaga na chapa governista para Gustavo Gayer, com certeza definindo a sua eleição. Com a aprovação do ex-presidente, um acordo foi fechado em Brasília, com a mediação do senador Rogério Marinho (coordenador-geral desde já da campanha de Flávio Bolsonaro a presidente). Wilder Morais acabou rifado e fim de conversa. O senador nunca foi mesmo um candidato a governador capaz de entusiasmar a torcida: ganhar mais uma preciosa cadeira na mais alta Câmara Legislativa do país, com Gayer, para ajudar a viabilizar o impeachment de ministros do STF, passou a ser mais interessante para o bolsonarismo do que embarcar na canoa furada de Wilder. Página virada.

Enquanto isso, de lambujem, o PSD também se alinhou com Daniel Vilela, depois da jogada de mestre de Caiado ao se filiar ao partido de Gilberto Kassab. Trata-se de uma consequência natural e automática. Antes, o PSD quem sabe até pudesse se enfileirar com a base governista, mas ao custo de um diálogo penoso com o senador Vanderlan Cardoso, com risco de insucesso dado que ele exigiria a 2ª vaga senatorial ao lado de Gracinha Caiado. De uma lapada, a base governista se livrou desse martírio, restando para Vanderlan procurar outro prefixo para perder tempo atrás da impossível reeleição ou se conformar e entrar na corrida para a Câmara dos Deputados.

O cenário político para as eleições deste ano, portanto, está configurado. O que resta são detalhes sem muito poder para influenciar no resultado. Por exemplo, quem acompanhará Daniel Vilela como vice? Ou qual nome o PT lançará para o governo estadual? E, finalmente, Marconi Perillo terá coragem de peitar mais uma eleição majoritária e se habilitar ao 3º insucesso, com potencial para enterrar a sua carreira? Como dito aqui, são detalhes perto da irrelevância. O palco principal já está construído e com solidez, aparentemente imune a solavancos. É só contar os dias até a data da votação.