Após reviravolta, cenário eleitoral em Goiás consolida-se como inicialmente previsto
Quatro candidaturas a governador: a do vice Daniel Vilela como representante da base aliada; a do senador Wilder Morais, pelo PL bolsonarista; a do ex-governador Marconi Perillo, sem ativos eleitorais depois do esfrangalhamento do PSDB; e a de um exemplar da esquerda, por enquanto totalmente indefinido enquanto o PT estadual aguarda as ordens do Soviete Supremo, em Brasília. Este é o cenário para as urnas de outubro em Goiás, agora aparentemente consolidado depois da reviravolta protagonizada pelo PL, que esteve muito perto de um acerto com o governador Ronaldo Caiado, mas acabou recuando.
LEIA TAMBÉM
Ideias e propostas, a carência fatal que compromete a oposição em Goiás
Revogação da “taxa do agro” cancela o principal discurso da oposição contra Daniel
Wilder vai a ato bolsonarista em SP usando sapatos Dolce & Gabanna de R$ 3 mil… cada pé
Detalhe que pesa e muito: a configuração com esses quatro postulantes para a disputa pelo Palácio das Esmeraldas era prevista desde muito tempo atrás. Estrategistas da campanha de Daniel Vilela, que falaram a este blog, sempre pintaram esse quadro. A incorporação do PL ao palanque de Daniel, em um determinado instante dada como fatura liquidada, revolucionou as expectativas, ao afastar Wilder Morais da corrida e praticamente selar o resultado da eleição ao apontar como irrecorrível a vitória do atual vice-governador (diante da falta de adversários viáveis, já que restariam um Marconi ultra esvaziado e o concorrente da esquerda, historicamente sem votos em Goiás).

Nada disso existe mais e o rio da sucessão estadual, portanto, voltou ao seu leito natural, ou seja, às quatro candidaturas imaginadas lá atrás. Daniel Vilela permanece como favorito. Motivos não faltam, desde o amplo espectro partidário que o bancará, garantindo mais da metade do horário de propaganda no rádio e na televisão e apoiadores de peso em todos os 246 municípios, além do endosso de Caiado e seus 88% de aprovação popular. Lembrando que o governador, nas eleições municipais de 2024, desaposentou dois políticos, Sandro Mabel e Leandro Vilela, e venceu em viradas espetaculares tanto em Goiânia quanto em Aparecida. Venceu quem? O bolsonarismo.

Segue-se Wilder Morais, posando de ultradireitista – o que não é, por falta de formação intelectual e doutrinária. Wilder é um oportunista, conforme a definição de próceres bolsonaristas em Goiás como o secretário municipal de Cultura Uugton Batista (leia aqui), e vai para a eleição como alguém que mordeu algo maior do que pode mastigar. Seu partido mal conta com 10 prefeitos e, dos deputados estaduais e federais, apenas um ou outro parece disposto a subir no seu palanque. Como deve ficar restrito ao PL, seu tempo de rádio e televisão não passará de um minuto, ao meio-dia e à noite. Discurso? Nem de longe, a não ser a monótona cantiga do “nós, da direita”.
Assim, sobra, como trunfo para Wilder, o apoio automático do bolsonarismo goiano. Mas isso corresponde aos 700 mil votos que teve para o Senado, em 2022, ou 20% do eleitorado estadual. Esses votos ele terá, mas avançar além desse contingente desenha-se missão impossível. Para o Senado, com a fragmentação de várias candidaturas, está provado que foi suficiente para assegurar um mandato para o milionário. No caso do governo do Estado, não dá. Só com os sufrágios do conservadorismo radical, Wilder não será eleito. E, para manter a fidelidade do eleitorado bolsonarista, a única estratégia possível é desfiar um discurso ideológico simplesmente drástico, que empurra para longe amplos segmentos do eleitorado. Ele está enredado na sua própria teia.

Vem na sequência Marconi Perillo. Como se diz: sem lenço, sem documento. Marconi não tem nada, a não ser o conhecimento do seu nome, mas… acompanhado de uma enorme rejeição. Seu partido, o PSDB, virou uma pálida sombra do que já foi. Não há lideranças de peso ao seu lado – e o tucano se vê obrigado a recorrer ao rebotalho da política estadual, gente acusada de desvios graves como o deputado federal Professor Alcides (pedofilia e agressão a mulheres) e o ex-prefeito de Aparecida (investigado pela Polícia Federal por investir dinheiro do município que administrou no Banco Master). É tão difícil a situação de Marconi que ainda está de pé a aposta de que não irá até o fim com a sua candidatura a governador, preferindo na última hora o refúgio de um mandato seguro para deputado federal.
Da esquerda, não se pode esperar nada. Em um Estado como Goiás, onde as correntes majoritárias de opinião são impregnadas pelos códigos reacionários, não existem votos para o PT e para o lulismo, a não ser para eleger 2 deputados estaduais e 2 federais. Além disso, nem um milímetro. Já é muito e também um limite de impossível ultrapassagem. Porém, fecha o cenário com quatro candidatos a governador – Daniel Vilela, Wilder Morais, Marconi Perillo e um petista ou agregado. Exatamente o prognóstico corrente no final de 2025, antes das cogitações de uma composição entre o PL e a base governista. Nada mudou.