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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

24 mar

Para chegar à Presidência, também é preciso sorte. Caiado mostra que tem

Em uma reviravolta até certo ponto impressionante, já que a imprensa nacional já dava como certa a sua oficialização pelo PSD, o governador do Paraná Ratinho Jr. desistiu de se candidatar à Presidência da República. Imediatamente, o governador Ronaldo Caiado despontou como o favorito para ocupar a vaga – o que foi mencionado até na manchete principal do site da Folha de S. Paulo nesta segunda-feira, 23, e segue na primeira página de todos os jornais. Resumo da ópera: Caiado será ou já é candidato ao Palácio do Planalto, uma certeza que hoje beira os 100%, já que como concorrente sobrou dentro do PSD apenas o governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite, cuja cotação, no ranking presidencial, vem bem atrás que a do governador goiano.

De certa forma, houve um toque de sorte a favor de Caiado em tudo isso. Primeiro, ele tomou a corajosa e arriscada decisão de deixar o União Brasil e migrar para um partido que contava com dois postulantes à sucessão de Lula (Ratinho Jr. e Eduardo Leite), aceitando uma “disputa” com base na regra de que o melhor situado ganharia o pódio. Nos últimos dias, tudo parecia convergir para Ratinho Jr., de fato ligeiramente acima de Caiado nas pesquisas, em torno de dois a três pontos. Mas, de repente, o governador do Paraná simplesmente desistiu e uma larga avenida se abriu para o governador de Goiás.

São muitos os fatores capazes de erigir um político em chefe da nação. Até o sobrenome, às vezes, influencia, caso do senador Flávio Bolsonaro, que tem pouca coisa a oferecer ao eleitorado além do privilégio eleitoral de ser o filho moderado do Jair. Lula é um exemplo de sucesso produzido por uma carreira longa, inicialmente marcada por uma sucessão de derrotas, porém depois transformado em sinônimo de resiliência e também de experiência. De um modo geral, é também obrigatório um bom preparo intelectual (no caso de Lula, que não passou do 4º ano primário, isso nunca foi exigido), aptidões retóricas razoáveis, carisma e mesmo condições físicas. De resto, não basta querer, sendo imprescindível contar com a convergência dos astros, metaforicamente falando. Ou, falando sem rodeios, muita sorte.

 

 

Nesta semana, Caiado mostrou que a deusa da Fortuna alinhou-se ao seu lado. Em 24 horas, ele passou a se constituir no primeiro goiano, em toda a história, a se viabilizar como candidato de respeito a presidente da República, o que caracteriza uma vitória e tanto para a sua biografia – essa, aliás, elemento decisivo para a construção da sua imagem e para a difusão de uma mensagem diferenciada às brasileiras e aos brasileiros, ancorando as suas chances de crescimento e desempenho satisfatório nas urnas. No passado, governadores como Iris Rezende e Marconi Perillo anunciaram a pretensão de dar esse passo, sem serem levados minimamente a sério pela imprensa ou pela classe política. Para ambos, faltou pano para mangas.

 

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Ainda faltam pouco mais de seis meses para as eleições presidenciais. Caiado caminha para ser ungido como o representante do PSD antes mesmo do fim deste mês, garantindo um prazo bem conveniente de aproximadamente 180 dias para percorrer o país, desenvolver a sua pregação e se beneficiar de 45 dias de propaganda intensiva no rádio e na televisão, quando desfrutará de uma fatia razoável de tempo de comunicação em massa para fazer o seu proselitismo. Não se imagina que a missão será fácil, ao contrário. O cenário de polarização entre lulismo e bolsonarismo segue inabalável, com espaço limitado, por enquanto, para uma alternativa entre esses dois extremos. Só que impossível não é: lutar é a praia do governador de Goiás e covardia ou medo ele não sabe o que são. Se houver algum tipo de surpresa nas eleições deste ano, não há dúvidas de que terá o nome de Caiado.