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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

28 jan

Significado de Caiado no PSD é a fundação da direita democrática no Brasil

 

Os efeitos da filiação do governador Ronaldo Caiado ao PSD, após o impacto inicial gerado pela surpreendente notícia, começam a aparecer com maior clareza. O principal deles: o governador goiano, caso venha a se consolidar como o candidato presidencial do partido, iniciará a campanha contando com uma estrutura eleitoral respeitável, beneficiando-se do um eixo de apoio formado pelo Paraná e pelo Rio Grande do Sul, ao lado de Goiás, ou um eixo Sul-Centro-Oeste. Isso representa um salto de qualidade para o projeto presidencial do governador goiano, que ainda poderá levar o apoio do UNIÃO BRASIL da Bahia – porta de entrada para os imensos contingentes de votos do Nordeste.

Não à toa, muitos analistas da grande imprensa enxergaram no gesto de Caiado uma jogada de mestre. A legenda é grande, transita na centro-direita e conta com um precioso tempo no horário gratuito de propaganda no rádio e na televisão. Há no PSD dois supostos postulantes ao Palácio do Planalto, o governador do Paraná Ratinho Jr. e o seu colega gaúcho Eduardo Leite. Ambos, hoje, jovens de futuro que podem acabar se interessando mais pela segurança de mandatos no Senado e menos em arriscar as suas carreiras enfrentando Lula, ao contrário de Caiado – que já foi tudo, busca arrematar com chave de ouro a sua trajetória política e está disposto a disputar o próximo pleito presidencial a qualquer custo, sem receio nenhum. Sim, todos os fatores confluem para que o PSD defina Caiado como o seu nome para a Presidência da República.

Se, antes, a base de Caiado seria unicamente Goiás, um Estado com expressão eleitoral mínima, agora o cenário é outro. Sendo o ungido do PSD, a ele se alinharão naturalmente o Paraná e o Rio Grande do Sul. Acrescente-se a isso a Bahia onde o seu amigo e parceiro do UNIÃO BRASIL ACM Neto vai concorrer ao governo do Estado e em hipótese alguma fará campanha para alguém de sobrenome Bolsonaro, no caso o senador Flávio, já ungido sucessor pelo pai.

 

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O movimento de Caiado não se esgota no ato de filiação ou em candidaturas. Nesse ponto, surgiu de repente o mais importante: ao ingressar no PSD, Caiado puxou os holofotes para a fundação de uma verdadeira direita civilizada no Brasil, não apenas retórica, mas estruturada a partir de uma frente de siglas de expressão, com lideranças responsáveis e comprometidas com a construção de uma nação sedimentada nos princípios do liberalismo na economia e firmemente assentada nas liberdades democráticas coletivamente garantidas. O bolsonarismo e o lulismo, ambos radicais em cada um dos seus extremos, enfrentam agora a perspectiva de fenecer junto com a nociva polarização que ajudaram a criar e mantêm viva com os discursos, provocações, agressões e ataques de que os seus chefes e seguidores próximos não abrem mão e repetem diariamente.

O PSD, com a sua vocação de centro-direita, é o partido perfeito para deflagrar esse novo estágio na política brasileira. E Caiado, ao ingressar nos seus quadros, com essa intenção ou não, foi quem disparou a mola que tem tudo para colocar o país em um novo momento da sua história, encerrando uma fase que só levou inquietação e divisionismo para as famílias, com resultados nefastos para o desenvolvimento e para a redução das desigualdades sociais e a supremacia das falsas narrativas e do ódio ideológico. A candidatura presidencial do governador goiano, caso aconteça, passa a ser competitiva, porém o relevante é que tem potencial para representar toda essa mudança.