Filha de Iris e viúva de Maguito na política: apenas muito barulho por nada

A política profissional é uma arte para experts. Só eles enxergam através da cortina de fumaça de determinados fatos, aqueles que impressionam, repercutem, mas… não geram nada de concreto quanto ao que verdadeiramente interessa, isto é, o jogo do poder. Vamos a acontecimentos recentes em Goiás de suposto impacto: as filiações da filha de Iris Rezende, Ana Paula, ao PL, e da viúva de Maguito Vilela, Flávia Teles, ao PSDB. Cerimônias com discursos ruidosos, gritos de guerra, posts nas redes sociais e manchetes dos jornais, tudo em quantidade calculada para deslumbrar incautos e ingênuos. Na prática, no entanto, o que houve e há de consistente em torno da movimentação das duas não passa de muito barulho por nada.
LEIA TAMBÉM
Os 3 erros graves de Ana Paula Rezende (o 3º é o pior)
Candidatura de Daniel Vilela dará o tom da mudança geracional em 2026
Fraquezas de Wilder, Marconi e da esquerda esvaziam a oposição em Goiás
Ana Paula e Flávia Teles são peixes pequenos nadando sem rumo nas águas tormentosas da política. Afora o status familiar, não possuem conexões com lideranças que de fato vão contar nos resultados das eleições deste ano. À adesão de Ana Paula ao PL, compareceram 12 prefeitos (nenhum de alguma cidade de colégio eleitoral expressivo) e dois deputados estaduais, além, obviamente, do senador e candidato do partido a governador Wilder Morais. Do MDB, seu ex-partido, ninguém a acompanhou ou sequer prestigiou no pulo fora da canoa. No caso de Flávia Teles, pior ainda. Ao assinar a ficha do PSDB, só estavam lá os dois deputados estaduais da sigla (Gustavo Sebba e José Machado). Presidindo a mesa, o ex-governador Marconi Perillo, por enquanto disposto a participar da corrida deste ano pelo Palácio das Esmeraldas.
Mais ninguém de peso, significando que ambas não possuem força, relevância, ligações ou algum fator positivo extraordinário capaz de as habilitar para interferir nas urnas programadas para outubro vindouro. Não provocam alterações no cenário. Apropriadamente, um dos mais instigantes sites de jornalismo em Goiás, o aparecidense Folha Z, analisou com precisão os efeitos da filiação de Flávia Teles ao PSDB: “Isso tem mais valor simbólico do que impacto real no tabuleiro eleitoral de Goiás. O evento cumpre um papel claro: gerar agenda, ocupar espaço político e produzir narrativa. Para valer, porém, não altera o cenário. Flávia não chega como um ativo eleitoral capaz de reposicionar forças ou influenciar de forma concreta a disputa majoritária”.
Corretíssimo. Agora, leitoras e leitores, um exercício: substituam o nome de Flávia Teles pelo de Ana Paula Rezende. A conclusão é a mesma. Nem uma nem outra contribuirão para carrear votos para os seus respectivos candidatos a governador. Aparecerão nos palanques e nos programas de televisão, mas, como avaliou o Folha Z, sem somar pontos à frente do que a presença feminina, em uma campanha, por si é capaz de adicionar. Anote-se que a elas falta qualquer popularidade: não são o que se poderia chamar de gente do povo ou de apelo coletivo, antes milionárias por direito de herança ou aquisição matrimonial, sem nunca sequer trabalhar por um minuto como pessoas comuns e sentir as agruras da luta cotidiana pela sobrevivência. Não herdaram o carisma do pai ou do companheiro.
Parafraseando o escritor Adolfo Bioy Casares (expoente do realismo fantástico argentino, ao lado de Jorge Luís Borges), em eleições, as primeiras coisas vêm primeiro e as segundas podem-se esquecer. A prioridade da política – as primeiras coisas – são as alianças partidárias e sociais, a busca pelo apoio de nomes de repercussão geral e a montagem de uma infraestrutura poderosa de campanha. Tudo o mais vem depois, em um segundo plano de importância decrescente – e é onde entram Ana Paula e Flávia Teles, escaladas quem sabe como meras protagonistas de um espetáculo midiático que não arranha a essência do processo eleitoral em curso em Goiás.