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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

29 maio

Bruno Peixoto nomeia 55 comissionados por mês desde a posse e joga no ralo meio bilhão por ano

 

Quando Bruno Peixoto assumiu a presidência da Assembleia Legislativa, em fevereiro de 2023, o quadro de funcionários comissionadas da Casa já era considerado exageradamente elevado: 3.711, naquela época muito acima, por exemplo, do quantitativo mantido pela Assembleia Legislativa de São Paulo, a maior do Brasil, prudentemente abaixo de 2.500 – e lá chega-se a 98 deputados (em Goiás, são 41 parlamentares estaduais). Pois então: Bruno inflou essa superestrutura na base de 55 novos comissionados a cada mês, desde a sua posse, a ponto de registrar hoje 5.874 servidores não-efetivos, aliás um recorde absoluto dentre todos os Estados.

Nesse mesmo período, a Assembleia paulista reduziu seu contingente de comissionados para os atuais 2.376. Enquanto, em Goiás, a proporção é de 143 funcionários para cada deputado, em São Paulo essa relação não supera 25 por um. Esse verdadeiro descalabro levou a gestão de Bruno Peixoto a ser denunciada por uma manchete principal da 1ª página da Folha de S. Paulo, na semana passada, aviltando o Legislativo goiano como disparadamente o mais inchado do país em matéria de pessoal de livre nomeação. É tão absurdo que a Mesa Diretora instituiu 3 turnos diários para acomodar legalmente tanta gente, em uma estratégia preventiva para contornar órgãos de fiscalização como o Ministério Público ou o Tribunal de Contas.

PRestem atenção, leitoras e leitores: 55 comissionados a mais, mês a mês, desde fevereiro de 2023, garantem em um escândalo sem precedentes, nacionalmente falando, algo nunca visto até aqui. Só em salários diretos, são quase R$ 40 milhões mensais ou perto de meio bilhão anuais, dinheiro, em grande parte, simplesmente jogado no ralo. A reportagem da Folha de S. Paulo envergonhou Goiás, um Estado onde o ex-governador Ronaldo Caiado promoveu uma faxina ética nos seus 7 anos e 3 meses de mandato e transformou a decência em marca inalienável da sua administração. Um exemplo que, nem de longe, serviu para Bruno Peixoto.

 

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Nas urnas deste ano, o presidente da Assembleia deve emergir como o deputado federal mais votado, com chances de bater a marca histórica do Delegado Waldir ao receber 274 mil votos para a Câmara dos Deputados em 2014. Mas a diferença de conteúdo é significativa: Waldir venceu com honra, ou seja, jogando limpo, com base apenas no prestígio conquistado como ativista das redes sociais. Bruno, não. Ele estará construindo uma votação triunfal às custas da manipulação dos meios e instrumentos pagos com dinheiro público, disponíveis na estrutura da Assembleia, programados para uso com moderação e autocontenção. Não é o que aconteceu e acontece.

Há um preço a pagar: essa Assembleia convertida em um valhacouto de privilégios e benesses, não exclusivamente para o presidente, como compartilhados com todos os deputados que a compõem, não dignifica ninguém nem muito menos fundamenta o surgimento de lideranças reais, reconhecidas e calcadas em valores e conceitos capazes de gerar até candidatos a governador e a senador – coisa inexistente dentro do Palácio Maguito Vilela. Antigamente, sobravam, quando o respeito alimentava carreiras políticas bem-sucedidas. Daí para o caso de Bruno Peixoto, a distância é monumental: ele, mesmo concentrando em mãos um feixe de poder tão vigoroso, não conseguiu ser sequer considerado como candidato a prefeito de Goiânia, em 2024, ou, agora, apontado como vice-governador ao lado de Daniel Vilela, representando a base governista. Querer, em ambas as situações, ele quis e quer. No entanto, seu portfólio pessoal é tão pesado que seria capaz de arrastar a chapa para um atoleiro moral e conspurcar as expectativas de vitória. Bruno Peixoto tornou-se tóxico.