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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

06 jul

Foco da eleição em Goiás é a continuidade: oposição ainda não conseguiu propor outro tema

A oposição fracassou: o tema central e talvez único da eleição para o Palácio das Esmeraldas, em Goiás, é a continuidade e isso recebe um reforço ainda maior na medida em que o ex-governador Ronaldo Caiado entrou em campo como candidato a presidente da República com um discurso que volta e meia chama a atenção para os feitos da sua gestão.

Resumindo: o sucesso do governo Caiado será lembrado o tempo todo durante a campanha e é óbvio que reforçará a tendência das goianas e dos goianos no sentido de acolher a continuidade como o escopo para a decisão de voto ao ponderar entre Daniel Vilela, representante da base governista; Marconi Perillo, o ex-governador que não consegue se livrar do passado; Wilder Morais, cujo trunfo exclusivo é o bolsonarismo; e o candidato lançado pelo PT Luis Cesar Bueno, sem nenhuma densidade eleitoral.

 

 

Mudar o foco do debate sobre a sucessão em Goiás seria obrigação dos postulantes oposicionistas. Mas eles não conseguiram. pelo menos até agora, a 3 meses da data das urnas. Vantagem para Daniel Vilela? Sim, inegavelmente. Ele é quem oferece a certeza de que o legado de Caiado permanecerá de pé. Claro: Daniel vai seguir repisando esse compromisso, todos os dias, nas reuniões, nos comícios, no horário gratuito de propaganda eleitoral no rádio e na TV e nas redes sociais. Enquanto isso, na corrida presidencial, Caiado segue e seguirá falando nos seus êxitos em Goiás, em áreas sensíveis para a população como a Segurança Pública, a Educação e a Saúde, criando um efeito de fora para dentro do Estado.

Como se posicionarão os adversários de Daniel Vilela? Marconi Perillo persistirá no caminho que escolheu, ou seja, criticar a Era Caiado como improdutiva para Goiás – o que se choca com a realidade. Nesse rumo, o ex-governador não irá a lugar nenhum, diante do volumoso índice de aprovação (inacreditáveis 88%) aferidos por institutos de indiscutível credibilidade para Caiado, algo correspondente a 9 a cada 10 eleitores. No mais, Marconi falará, falará, pregará no deserto tentando reviver as realizações dos seus governos do passado. Ninguém se interessa ou se interessará.

Já Wilder Morais entoará a tradicional cantilena do bolsonarismo: somos de direita e ponto final. Sem maiores explicações. Insinuará que isso basta para Goiás, quer dizer, o que é necessário para o Estado é só um governador bolsonarista, mesmo um sem ideias e sem projetos. Não parece que esse discurso vai colar, mas Wilder insiste nele. Quanto a Caiado, sua postura está clara: não haverá críticas e, sim, elogios, ainda que disfarçados.

De Luis Cesar Bueno, não virá nada. Não existe pensamento progressista militante em Goiás, além dos muros das universidades públicas – a federal e a estadual. O PT e quejandos repisarão o surrado bordão da prioridade para a reeleição de Lula, como se isso tivesse o condão de propor uma visão de futuro para o Estado e uma solução mágica para todos os desafios. É ridículo.

 

 

Nada disso abala o tema da continuidade, não o substitui, e por isso a superioridade de Daniel Vilela é clara. Caiado, assim que começar o horário gratuito no rádio e na televisão, o abençoará como a prorrogação necessária do seu governo. Nas redes sociais, já o faz. É um filme visto: governantes com elevada avaliação ou se reelegem com tranquilidade ou influenciam decisivamente na vitória dos candidatos que apoiam para a própria sucessão. É uma regra da política no Brasil. Explica a ascensão de postes como Dilma Rousseff ou, em Goiás, como Alcides Rodrigues. Detalhe relevante: Daniel Vilela está longe desse perfil de poste, graças à sua carreira como vereador, deputado estadual, deputado federal e postulante ao governo em 2018, quando se classificou em 2º lugar, à frente do governador tampão que buscava a reeleição, na época, José Eliton. De resto, pouco mais de 2 meses depois de tomar assento como titular do Palácio das Esmeraldas, consolidou uma identidade de governo, ao acrescentar – com uma ofensiva de medidas concretas de amplo alcance, como a introdução da Inteligência Artificial nas investigações policiais – a marca da inovação ao seu estilo administrativo. Tudo isso sem reação da oposição.