Agendas esvaziadas comprometem campanhas de Marconi, Wilder e Luis Cesar
Começou oficialmente a campanha eleitoral, liberada pela Justiça Eleitoral a partir do último dia 16 de agosto. Mas, atenção: os candidatos a governador de oposição parecem não ter notado esse “detalhe”. Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e Luis Cesar Bueno (PT) ainda não se aproveitaram da liberação. Pouco ou quase nada fizeram em termos de rua ou de qualquer outra movimentação, digamos assim, em público.

Como esperado, o representante da base governista em busca da reeleição Daniel Vilela (MDB) foi o único dos postulantes ao Palácio das Esmeraldas a cumprir uma agenda eleitoral densa. Abriu a campanha com uma carreata por municípios do Entorno de Brasília, a 2ª região de maior concentração de eleitores do Estado, perdendo apenas para a Grande Goiânia. Promoveu adesivaços no estacionamento do Estádio Serra Dourada e em Aparecida, em frente ao Aparecida Shopping. E ainda sobrou tempo para carreatas por Abadia de Goiás, Guapó e Aragoiânia, uma, e pelos bairros da região noroeste de Goiânia, outra. De quebra, esteve em um grande evento em Anápolis, neste sábado, 22, para receber o apoio do prefeito Márcio Corrêa, ooooops…. do PL.
É mais, muito mais, que a soma de tudo o que as campanhas Marconi, Wilder e Luis Cesar produziram na semana inicial do proselitismo autorizado pelo TRE. Nunca, como nas eleições deste ano, a oposição esteve tão fragilizada em Goiás. Wilder Morais, por exemplo, mantém-se na mesma inércia da sua pré-campanha, quando se negou até mesmo a dar entrevistas a veículos de comunicação. Ele tem se limitado a comparecer a atos de lançamento de candidaturas do PL, como o circo armado por Gustavo Gayer na Praça Tamandaré e um encontro em Inhumas, por sinal sem plateia, por conta de um desconhecido candidato a deputado estadual pelo PL.

Há uma suspeita capaz de explicar o baixíssimo nível de atividade da campanha de Wilder: falta de dinheiro. Não que o senador não tenha. Ele é rico. O problema é que não gasta com política, ainda mais enquanto aguarda recursos do fundo partidário que não chegam e provavelmente não vão chegar, não em termos significativos. É o preço a pagar pela fama de milionário e pela medíocre pontuação nas pesquisas, estagnado em 3º lugar (mais de 30 pontos atrás do líder, Daniel Vilela). O PL de Valdemar Costa Neto não vai desperdiçar chumbo grosso com um candidato que esbanja condições para se autofinanciar, por um lado, com o acréscimo de uma absoluta ausência de expectativa de poder, por outro lado. Um indicativo: na “reunião de prefeitos” na mansão de Wilder no setor Marista, na sexta, 11… não havia prefeitos. Depois, à noite, o senador foi comer comida japonesa no Festival Bon Odori, no conjunto Itatiaia, onde passou pelo vexame de cumprimentar pessoas que claramente não o reconheciam.
Marconi Perillo, enquanto isso, esperneou heroicamente. Assistiu solitário a uma missa em Rio Verde, fez um comício para cabos eleitorais em Goianésia e, surpresa, revelou coragem ao se expor em uma carreata percorrendo cidades vizinhas a Goiânia – ousadia diante da sua posição nas pesquisas como candidato mais rejeitado. Fora isso, apenas uma “conversa” com idosos também na região noroeste de Goiânia. Tudo o que Marconi e Wilder potencialmente conseguiram, em termos de visibilidade, até agora, sequer arranha a massa de eleitoras e eleitores do Estado, hoje por volta de 5 milhões de inscritos para votar em 4 de outubro. Não há nem como alegar que estão suprindo a falta de onde ir com o apelo às redes sociais, já que, cada qual, não ultrapassam 180 mil seguidores. E pior ainda é o caso do petista Luis Cesar, praticamente sem ter o que fazer – forçado ao recorrer ao velho expediente das “reuniões internas” ou das “gravações para o horário eleitoral” para preencher a agenda distribuída à imprensa. E restrito a meros 11 mil seguidores no Instagram, Twitter e Facebook.
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Bem, ainda estamos na 1ª semana do calendário eleitoral. Faltam 5, ainda. Pode ser que haja alguma reação da parte dos oposicionistas. A caravana de Daniel Vilela tende a seguir em ritmo dinâmico, levada pela força descomunal da base governista, avassaladora na ocupação de espaço. Cabe a Marconi e Wilder lembrar à população: são candidatos ao Palácio das Esmeraldas, o que, para Marconi, não será moleza – nem inserção na propaganda gratuita pelo rádio e pela televisão ele tem (Daniel Vilela contará com 5 minutos; Wilder Morais e Luis Cesar 2 minutos cada e Marconi, exíguos 34 segundos). Quanto a Wilder, é falta de jeito mesmo. Seu próprio marqueteiro, Marcelo Vitorino, admite que o martelo já foi batido a favor de uma concentração de esforços nos 2 minutos do candidato no rádio e na televisão, nos quais será possível disfarçar a sua incapacidade para se expressar e concatenar ideias umas com as outras. No mais, uma reuniãozinha aqui, uma caminhadinha ali, nada mais.