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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

05 ago

Luiz do Carmo é o vice de Daniel para evitar desgastes e colocar exército evangélico nas ruas

 

A escolha do vice na chapa de Daniel Vilela (MDB) foi uma decisão essencialmente pragmática adotada em comum acordo pelo governador Daniel Vilela e pelo ex-governador Ronaldo Caiado: o ex-senador e pastor evangélico filiado ao PSD Luiz do Carmo(na foto acima durante uma entrevista recente ao Jornal Opção) acabou vencendo a corrida travada com o ex-deputado federal e presidente licenciado da FAEG Zé Mário Scheiner e com o ex-secretário geral da Governadoria Adriano Rocha Lima. Em um 2º pelotão, perfilavam-se o atual presidente da Assembleia Bruno Peixoto, queimado por uma sucessão de manchetes negativas de O Popular sobre a lambança administrativa que avacalhou o Poder, e o ex-prefeito Gustavo Mendanha, que desistiu e hoje é postulante ao Senado.

Havia um clima de reocupação na base governista: a definição do vice, mal pensada, abriria a porta para problemas na campanha de Daniel Vilela, no momento correndo em trilhos limpos e desimpedidos. A opção por um nome poderia gerar ressentimentos em outros. Esse detalhe, sem dúvidas, foi determinante. Adriano Rocha Lima, sem antecedentes eleitorais ou políticos, não teria nenhuma caixa para reagir caso preterido. Zé Mário Schreiner, diferentemente, contaria com alguma energia, porém é um homem de compostura e responsabilidade inequívocas e dificilmente ousaria desdizer a sua biografia para se insurgir na hipótese de ficar de fora, beneficiando a oposição.

Com Luiz do Carmo, haveria esse risco. Até mesmo se ele, Carmo, aceitasse pacificamente a sua exclusão, uma vez que a sua base religiosa é engajada e amplamente disseminada por todo o Estado – a Assembleia de Deus é o maior segmento evangélico não só em Goiás, como em todo o país, com ampla penetração em todos os segmentos da população. Ainda que o ex-senador permanecesse calado diante da sua não oficialização, não seria de se descartar um movimento espontâneo de insatisfação ou até protesto.

Ressalte-se: Luiz do Carmo nunca fez qualquer ameaça. Ao contrário, sempre reafirmou sua disposição e vontade para a vice, porém pronto para apoiar Daniel Vilela seja lá quem fosse o consagrado. Nos bastidores, óbvio, houve pressão das grandes lideranças da Assembleia de Deus, nada além do normal. Um partido muito ligado aos evangélicos, o Podemos, fez a sua convenção estadual com a presença de Daniel Vilela, adiando, contudo, a sua incorporação à aliança governista. Criou-se um quê de dúvida, embora o presidente estadual e deputado federal Glaustin Fokus tenha apresentado como justificativa a orientação do diretório nacional para protelar o posicionamento sobre candidaturas majoritárias (assunto, a propósito, resolvido antes do anúncio de Luiz do Carmo, com a liberação dos diretórios estaduais para embarcar na canoa de quais candidatos a presidente quiserem e, consequentemente, do mesmo modo em relação aos governadores).

Noves fora tudo isso, Luiz do Carmo ostenta abundantes méritos pessoais. Não é homem de excentricidades. Ficha limpa. Esteve no Senado por 4 anos, depois de assumir como 1º suplente de Caiado (que renunciou para assumir o governo de Goiás em 2019). Esse antecedente, aliás, é de muito significado na sua unção como vice de Daniel Vilela. Quer dizer: ele já havia passado por um teste de fidelidade e se saiu muito bem. Pouca gente notou essa particularidade. Carmo e Caiado tinham uma história em comum. Por que não, agora, a sua presença na chapa? Ainda mais agregando, como vantagem adicional para a campanha de Daniel, um imenso exército e entusiasmado exército de cabos eleitorais evangélicos espalhados por todos os 246 municípios, sem exceção.

 

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Tem mais. Luiz do Carmo, em caso de vitória de Daniel Vilela, torna-se automaticamente uma alternativa respeitável para o Palácio das Esmeraldas em 2030, quando Daniel, tendo cumprido o 2º mandato e sem acesso legal a mais uma reeleição, com certeza disputará o Senado – renunciando no fim de março e permitindo a posse do seu vice. Ao mesmo tempo, Caiado, não se elegendo agora para a presidência da República, pode ter interesse em concorrer novamente em Goiás. Terá 80 anos. Mantida a vitalidade de hoje, desfrutará de total condição física e de saúde para voltar. Com Luiz do Carmo no governo, um aliado atestado com louros no quesito lealdade, estariam afastadas surpresas.

Por último, vale ressaltar: a oposição aguardava ansiosa pela formalização do vice de Daniel Vilela, sonhando com um passo errado capaz de gerar desgastes para a base governista. Essa porta se fechou. Caiado e Daniel conseguiram fechar a chapa sem perdas de qualquer natureza. Nem sequer mínimas.  O favoritismo do atual governador em busca de reeleição segue intacto.