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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

15 jul

Os equívocos que derrotam por antecipação Marconi e Wilder (e Luis Cesar pior ainda)

 

Vamos começar com uma afirmação drástica: os passos iniciais para valer da campanha para o governo de Goiás mostram Daniel Vilela (MDB) fortemente consolidado como o favorito, sem dificuldades e surpreendendo pela rapidez em assumir o 1º lugar isolado (20 pontos sobre Marconi Perillo e mais de 30 na dianteira de Wilder, com Luis Cesar lá atrás), no pódio das intenções de voto, enquanto seus adversários parecem desorientados, completamente sem rumo e, sem exagero, expondo a cada dia uma crescente falta de juízo político, estratégico e, finalmente, eleitoral, acumulando equívocos. Explicaremos a seguir.

 

 

É fato que o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), o senador Wilder Morais (PL) e o representante do PT Luis Cesar Bueno vergam sob condições estruturais desgastantes. Marconi e Wilder, com muita semelhança. Não contam com partidos estadualmente estabelecidos (o PL de Wilder, agravando as coisas para ele, está rachado e, em política, como se sabe, uma casa dividida é o pior adversário). Não atraíram aliados, nem lideranças nem legendas. Contam com uma base insignificante nos 246 municípios. Luis Cesar, coitado, não tem cacife para uma disputa do peso dessa que visa o Palácio das Esmeraldas. Como acreditar nele se nem mesmo o guia máximo do PT, Lula, fez fé nas suas possibilidades, tentando por todas as formas impor Adriana Accorsi, sob pressão, como a representante petista nas eleições, desmoralizando e humilhando publicamente o ex-deputado estadual que tenta correr atrás de um mandato para o qual não possui altura? Não dá.

Marconi e Wilder são os  concorrentes que pesam. Ou deveriam pesar. Mas se posicionaram muito mal. Marconi segue com o seu discurso ultrapassado, olhando para trás, agarrando-se a memórias, como na declaração que deu nesta semana ao portal Mais Goiás: “Ando pelos 4 cantos do Estado de Goiás de cabeça erguida. Há obras dos nossos 4 governos em todas as regiões”. Sim, há. E daí? Era sua obrigação e cada vez que ele cobra o voto de gratidão pelas “obras dos nossos 4 governos em todas as regiões” ele está exigindo reciprocidade a fórceps e se reportando a uma suposta “idade de ouro” da qual ninguém se lembra mais. Perto de 2 terços do eleitorado foram praticamente renovados desde que tristemente, em um mar de escândalos, se encerrou em 2018 a era tucana em Goiás e o “tempo novo” envelheceu ou apodreceu.

Eleitores votam em expectativas, não em agradecimento por entregas remotas. Como Wilder Morais não conta com um portfólio para relembrar, reduziu-se a recorrer à nota única do seu repertório, o bolsonarismo – hoje enfraquecido em Goiás exatamente pela falta de conteúdo e inteligência de quem deveria liderá-lo, como o próprio senador. Boa parte dos votos da direita radical foi capturada por Daniel Vilela, a partir das bênçãos do ex-governador Ronaldo Caiado (invencível nos embates que teve com o bolsonarismo). Trabalhando contra si mesmo, já que é suspeito de ser um político vazio, Wilder anunciou “propostas” genéricas, sem o menor impacto mobilizatório. Ele, Marconi e Luis Cesar estão igualados na insistência em falar de “Saúde na UTI”, aumento de investimentos na infraestrutura e na economia, geração de empregos e banalidades que qualquer candidato, em qualquer parte do mundo, coloca infantilmente no seu receituário. Os 3 combinam na ausência de tino ou de inteligência sequer mínima para construir um marketing eficiente. Todos eles tentam atacar o impecável nível de segurança pública legado por Caiado e rapidamente assumido por Daniel Vilela, com o acréscimo da inovação, alegando que os policiais civis e militares não estariam satisfeitos com os salários. Piada. Goiás é recordista de altitude nas folhas do pessoal da Educação e da Segurança, bem como no apoio às atividades dos seus profissionais. Não há paralelo para isso no resto do país. O argumento é frágil.

 

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Sem raízes na realidade, presos ao compromisso de prometer mudança em um raro instante histórico que prioriza a continuidade, Marconi, Wilder e Luis Cesar pregam no deserto, sob o sol causticante da acachapante carência de ideias. Sem gerar engajamento, mostram apenas que são cabeças vazias, nas quais não vicejam projetos interessantes para o futuro das goianas e dos goianos. Apequenam-se a oferecer seus nomes, sem justificativas, apenas como postulantes sem qualidades. Antecipam, por seus próprios erros, a derrota, com hipótese viva de liquidação da fatura no 1º turno. Nenhum sabe o que é fazer oposição ou como e o que configurar em uma conceituação alternativa de poder para Goiás. Não chegam nem perto disso. Na verdade, facilitam para Daniel Vilela, que não dorme sobre os louros, circula dia e noite como beneficiário legal da visibilidade do cargo e mantém nas mãos a iniciativa do debate, que deveria ser dos seus antagonistas, por obrigação de ofício – de quebra com o atual governador mostrando-se capacitado e legítimo como herdeiro de Caiado. Dentro desse ramerrame, o resultado das urnas de 4 de outubro já está precificado.