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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

25 ago

Início do horário gratuito no rádio e TV tende a ampliar o favoritismo de Daniel Vilela

 

 

Começa na próxima sexta-feira, 28, o horário gratuito de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Em Goiás, o governador Daniel Vilela (MDB) terá 4 minutos e 24 segundos em cada bloco, ao meio-dia e à noite; o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno (PT), 2 minutos e 16 segundos; e o senador Wilder Morais (PL), 1 minuto e 48 segundos. Cada candidato terá ainda direito a inserções de 30 segundos espalhadas pela grade diária, na mesma proporção. Dá para notar que a diferença a favor de Daniel será notável, enquanto, no caso de Marconi, impressiona pela exiguidade de tempo para mandar um recado minimamente consistente para o eleitorado.

Mas essa não é a maior vantagem a favor de Daniel Vilela no horário gratuito. Ele será beneficiário de um fenômeno observado em pleitos em que titulares de cargos executivos disputam a reeleição: com o início da propaganda no rádio e na televisão, a aprovação das suas gestões tende a aumentar. A explicação é simples. Como inevitavelmente candidatos governistas priorizam a divulgação dos seus respectivos portfólios de realizações, essa linha publicitária acaba massificando informações administrativas e sobre entregas que, muitas vezes, ou os telespectadores não tinham ou das quais já haviam se esquecido.

No último levantamento do Paraná Pesquisas, publicado há 7 dias, Daniel Vilela alcançou 75,1% de aprovação para o seu governo. É um índice espetacular, que desmente a principal imputação dos seus adversários: Marconi Perillo e Wilder Morais acusam Daniel de “inexperiência”, sugerindo respectivamente que eles seriam melhores para o futuro do Estado. Essa estratégia colide frontalmente com a elevada avaliação positiva de Daniel, em quem as goianas e os goianos, majoritariamente, enxergam um administrador qualificado e, portanto, “experiente” – não é este blog que afirma, porém, institutos de credibilidade reconhecida, como se tem visto.

O início do horário gratuito tende a reforçar esse número. E, a partir daí, direcionar mais intenções de voto para Daniel Vilela. Ele já conquistou o 1º lugar isolado, com o acréscimo de que está posicionado para vencer no 1º turno – conforme a Genial/Quaest e o Paraná Pesquisas. Neste último, bateu os 55% de votos válidos, bem acima do critério adotado pela Justiça Eleitoral, que determina a liquidação da fatura sem necessidade de 2º turno quando um concorre ultrapassa os 50% mais um dos sufrágios.

E não adiantam argumentos como os do ex-governador Marconi Perillo, que alega não ver importância na propaganda gratuita – cujos meios, o rádio e a televisão, estariam, na opinião dele, superados pelo poder das redes sociais. Não é bem assim.  A conversa de Marconi é a de quem vê uma arvore carregada de frutos, porém fora do alcance, no alto, e se sai com a desculpa esfarrapada de que ainda estão verdes. A última pesquisa BTG Pactual/Nexus, nesta semana, revelou que 68% do eleitorado tem interesse e pretende acompanhar o horário gratuito com atenção, ao mesmo tempo em que a maioria dos analistas, pela imprensa nacional afora, diz ainda acreditar que o rádio e TV ainda são o principal elemento massivo de comunicação nas eleições brasileiras.

Daniel Vilela terá mais espaço que os adversários na telinha, com margem de sobra para mostrar o que ex-governador Ronaldo Caiado fez e ele vai preservar e garantir continuidade. Caiado provavelmente aparecerá todo dia para reafirmar que, sim, Daniel é quem está mais preparado para dar sequência às suas gestões, no contexto de uma eleição em que “continuidade” é o pano de fundo para as urnas. Um cenário para lá de auspicioso para Daniel, com um ganho extra: os competidores, no horário gratuito, estarão presos a intervalos curtos para formular críticas, em especial Marconi Perillo – o antagonista que tem mostrado mais virulência e vontade de hostilizar Daniel Vilela, mas, confinado em 30 segundos, não terá como desenvolver essa linha de ataques.