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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

05 set

Na presidência nacional, Marconi acabou como coveiro do PSDB

Agora é para valer, leitoras e leitores: o PSDB chegou ao fim, com a desfiliação do último governador ainda pendurado no partido – Eduardo Riedel, do Mato Grosso do Sul, que se transferiu na semana passada para o PP. Na sequência dessa debandada, mais três deputados federais dos escassos 13 eleitos em 2022, também anunciaram que estão de saída. Daqui para o início de 2026, prevê-se, não vai sobrar ninguém, a não ser as antigas e corroídas lideranças da sigla como o ex-governador Marconi Perillo e o deputado federal Aécio Neves, mais por falta de opção para encontrar um novo rumo do que por vontade própria.

 

 

Marconi passa à história como o presidente nacional que enterrou o PSDB. O coveiro. Desde que assumiu, em novembro de 2023, o ex-governador comandou uma barca furada, fazendo água e afundando cada vez mais rapidamente. Ele até que esperneou, mas a sangria de quadros nunca parou e seguiu evoluindo com celeridade. Em um gesto desesperado, deu o sangue para montar uma federação ou uma fusão, primeiro com o MDB, depois com o Republicanos e o PSD, finalmente pulando para o colo do nanico Podemos. Nenhuma foi para a frente. E, humilhação suprema, o Cidadania, com quem o PSDB manteve uma breve aliança, decidiu neste ano encerrar o casamento por falta de afinidade.

Deu tudo errado. Para piorar, veio em 2024 o deprimente episódio, em que, durante um debate, o candidato da sigla à prefeito de São Paulo José Luiz Datena agrediu o adversário Pablo Marçal – algo que, de certa forma, simbolizou a falta de argumentos do PSDB e a perda dos valores assumidos na histórica fundação da legenda, em 1988, tendo como origem um notável núcleo de grandes políticos brasileiros – que dominaria o cenário político do país pelas próximas décadas. Tudo isso, agora, é passado, do qual, para piorar, as novas gerações não têm o menor conhecimento.

 

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Marconi já teve chances de migrar para outras siglas, mas desperdiçou todas as oportunidades. A melhor teria sido acompanhar o ex-governador de São Paulo e hoje vice-presidente Geraldo Alckmin quando se bandeou para o PSB. Particularmente em Goiás, a cujo eleitorado ele terá que recorrer no ano que vem para buscar um mandato e sobreviver, o PSDB vive uma situação de decadência, com sete ou menos prefeitos, dois deputados estaduais, um federal e… só isso. Mesmo permanecendo no partido, a maioria desses políticos já se acertou com o governador Ronaldo Caiado e vai, no ano que vem, apoiar os candidatos do Palácio das Esmeraldas para as vagas majoritárias, entre eles Daniel Vilela para governador e Gracinha Caiado para senadora. Não há alívio à vista, nem sequer diante de notícias como o 2º lugar na pesquisa Genial/Quaest, sobre a sucessão de 2026, publicada na semana passada: isolado, sem bases pelo Estado, padecendo de uma rejeição calculada em 60%, Marconi não tem fundamentos reais para crescer ou manter a posição e tende a ser superado pelo senador Wilder Morais, hoje na 3ª colocação, e terminar disputando a 4ª vaga com o candidato do PT.