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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

27 maio

Derrota antecipada: oposição está sem rumo e vai enfrentar Daniel Vilela sem nada nas mãos

Que oposição é essa que temos em Goiás? A pouco mais de 4 meses para as eleições, não é possível identificar na praça um único projeto de respeito para fazer concorrência com o representante da base governista Daniel Vilela (MDB), em ascensão nas pesquisas e hoje considerado por unanimidade como predestinado a vencer em outubro próximo. Não é sempre que se vê, como agora, um cenário tão positivo para um candidato ao Palácio das Esmeraldas como o que está aberto para o filho e herdeiro de Maguito Vilela.

Enquanto Daniel Vilela navega impulsionado por uma ampla coligação partidária, tem o apoio da maioria esmagadora dos prefeitos, seu cabo eleitoral número um é o ex-governador Ronaldo Caiado (que deixou o governo com 88% de aprovação), está no exercício do cargo de governador e com isso garante uma visibilidade consistente, no dia a dia, e se firma como símbolo de um momento propício para a renovação geracional da política em Goiás, seus adversários vão mal.

 

Por enquanto 2º colocado nas pesquisas, porém a mais de 20 pontos de distância de Daniel, o ex-governador Marconi Perillo continua pressionado por uma gigantesca taxa de rejeição, na faixa dos 50%, ao mesmo tempo em que padece perambulando pelo Estado inutilmente atrás de lideranças para o seu palanque. Seu partido, o PSDB, decaiu até próximo do zero em matéria de quadros e estrutura. Milagrosamente, Marconi arranjou um partido para formar uma aliança: o nanico DC, que certamente só acrescentará despesas (e aqui quem entende de política sabe o que se quer dizer) à campanha tucana sem nada oferecer de consistente em troca (ou seja: votos). Se não pensa em desistir e tentar uma vaga segura de deputado federal, deveria.

 

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Wilder Morais (PL) vem na 3ª posição, praticamente 30 pontos atrás de Daniel Vilela. Seu único e exclusivo trunfo seria o suporte do segmento bolsonarista, que já viveu dias melhores em Goiás e foi derrotado no último pleito municipal em Goiânia e Aparecida. Pior: vive uma fase de fragilidade, sob o impacto das revelações sobre a  relação tóxica entre o candidato a presidente Flávio Bolsonaro e o banqueiro falido Daniel Vorcaro. Um horror. Pior ainda: Wilder é tão fraco, sem discurso, sem ideias, sem articulação, que as pesquisas passaram a indicar uma progressiva tendência de apoio de parte do bolsonarismo estadual ao nome de Daniel Vilela – em especial pela sua identificação com Caiado, um expoente histórico da direita, com a vantagem de se caracterizar como alguém civilizado e democrata. É isso, talvez, a explicação para a estagnação de Wilder Morais em 10 pontos nos levantamentos de intenções de voto, o que significa que somente escolhe o seu nome a banda ultrarradical e mais ideologicamente atrasada do movimento chefiado pelo Jair encarcerado.

Protagonizando uma comédia de erros, vem a seguir o PT ou, falando de modo mais amplo, a esquerda goiana. Pobre esquerda. A 18 semanas da data das urnas, o petismo e seus associados não contam com uma chapa de peso para lançar ao governo estadual. Ou melhor: até que existe um caminho, encarnado na deputada federal Adriana Accorsi, mas ela não pode ser dispensada da disputa pela Câmara Federal para cumprir a missão de reforçar a bancada e garantir acesso privilegiado da sigla às milionárias verbas dos fundos partidário e eleitoral. Sobram hipóteses sem densidade política e sem votos, que não vale a pena lembrar aqui por se tratar de nulidades carentes de condições para chegar a um desempenho sequer razoável na corrida pelo trono da Praça Cívica, como as pesquisas deixam patente.

Caso candidata, Adriana Accorsi não ganha. Uma façanha, contudo, ela produziria ao provavelmente empurrar Wilder Morais para o 4º lugar, uma humilhação para o bolsonarismo em Goiás. Nada disso, mesmo assim, à altura de afetar o favoritismo de Daniel Vilela, cada vez mais perto de um triunfo já no 1º turno, previsão que é alimentada não só pelas pesquisas (em todas as simulações, menos quando Adriana Accorsi é incluída na lista de candidatos), como também pelo despreparo pessoal e político dos antagonistas, todos mergulhados em uma sucessão de equívocos que não cessa nunca. Isso não é oposição. Não há discurso, propostas ou um projeto alternativo de poder, assemelhando-se mais a um amontoado de pessoas que carecem de juízo, tirocínio e visão sobre o necessário para o futuro das goianas e dos goianos. É derrota antecipada com certeza.