Caiado segue no jogo: nova janela se abre para a 3ª via na sucessão presidencial
Hoje já cotado nas pesquisas como o candidato a presidente que vem após Lula e Flávio Bolsonaro, consolidado no 3º lugar, embora como uma pontuação distante dos dois, o ex-governador Ronaldo Caiado tem se mexido com precisão estratégica e reforçado a imagem de que está apto para se aproveitar dos efeitos negativos da cansativa polarização entre os 2 principais concorrentes. Nesta semana, uma nova janela de oportunidade se abriu para Caiado: a pesquisa Nexus/BTG revelou que a demanda por uma 3ª via nas eleições nunca esteve tão elevada. Segundo o levantamento, 27% dos eleitores preferem a eleição de um candidato sem ligações com Lula da Silva nem com o ex-presidente Jair Bolsonaro — o maior percentual já registrado para a busca de uma nova alternativa para o futuro político do Brasil.
Caiado entrou automaticamente em um bom momento. Tem feito críticas a Flávio Bolsonaro, já visto como um líder incapaz de unir a direita e sem personalidade própria para vencer mesmo um adversário decrépito como Lula, sem conexões com o país moderno que tenta emergir das ruínas dos quase 20 anos do petismo. De seu QG em São Paulo, o ex-governador de Goiás dispara mísseis com pontaria precisa, consolida e expande o respeito da grande mídia e das redes sociais pelo seu nome e sem dúvidas alcançou a o estrelato como o pretendente com mais preparo dentre os postulantes à Presidência da República. Tornou-se combativo. Isso não é especulação, é fato.
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A retaguarda de Caiado está estruturada com força em Goiás. Ajuda. Seu sucessor Daniel Vilela navega em mares tranquilos, inconteste como o favorito para o Palácio das Esmeraldas, contemplando a vitória no 1º turno, segundo as mais recentes pesquisas (lembrando sempre: as de credibilidade). Seus oponentes vagam sem rumo. Nenhum atraiu aliados de peso, partidos ou as atenções de segmentos expressivos da sociedade. Faltam a eles ideias e propostas. A menos de 80 dias da data das urnas, Daniel Vilela situa-se 20 pontos na dianteira do ex-governador Marconi Perillo, mais de 30 pontos sobre Wilder Morais e se estabeleceu a uma distância estratosférica do petista Luis Cesar Bueno e do inexpressivo representante do Novo, o vereador Telêmaco Brandão.

Praticamente liberado de preocupações em Goiás, diante do excelente desempenho de Daniel Vilela, Caiado tem tempo para viajar e articular nacionalmente – e com sucesso. Parte do bolsonarismo tem se aproximado dele, ao mesmo tempo em que ocupa todo o espaço disponível no centro ideológico. A escolha do presidente nacional do PSD e ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, para a vice-presidência, foi uma cartada de mestre. Mas, apesar dos movimentos acertados e do ambiente favorável para o seu perfil, as dificuldades ainda estão espalhadas pelo trajeto até 4 de outubro. Muitas. A muralha da polarização apresenta pequenas trincas, mas, para valer, não ostenta rachaduras significativas. Dá até a impressão de ser insuperável.
Se inesperadamente aparecer uma possibilidade entre Lula e Flávio Bolsonaro, não há nem haverá outro mais bem colocado que Caiado para acelerar, ultrapassar e vencer na reta final. Isso já esteve mais para sonho, porém assumiu ares de perspectiva algo viável a partir do promissor delineamento da pesquisa Nexus/BTG. Tornou-se uma opção de caminho real, a depender das circunstâncias e de uma súbita explosão de fadiga com o confronto improdutivo entre os 2 competidores mais cotados. Podem surgir novidades apontando para um desfecho diferente do previsto. Um toque afirmativo foi acrescentado pelo levantamento do Datafolha sobre as eleições presidenciais em São Paulo, com Caiado sobrepujando numericamente Lula no 2º turno entre o eleitorado paulista. Bom. Mais um tijolo para a sustentação dos planos presidenciais do ex-governador de Goiás, claramente se posicionando para se beneficiar se qualquer reviravolta no cenário – que ninguém, por ora, descarta em definitivo.