Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

15 mar

Leilão dos 2 carros de luxo que serviam aos governos passados: micromedida acertada, que simboliza o fim do desperdício e o início de um Estado enxuto e austero, como deve ser. Mas é preciso mais

Do ponto de vista do marketing, foi genial a jogada do governador Ronaldo Caiado ao leiloar os dois veículos de luxo que estavam na frota do Palácio das Esmeraldas e, até dezembro último, garantiam o conforto do governador e da primeira dama em seus deslocamentos. Mas sejamos justos: o lance vai muito além dos seus efeitos publicitários, ao simbolizar o momento em que, em Goiás, pode ter sido iniciada uma era de menos desperdícios e da imposição de uma certa austeridade a um Estado cansado de escândalos e de dinheiro público atirado pelo ralo.

 

Trata-se de uma micro-ação. Ou seja, não há efeito nenhum sobre as dificuldades de caixa do governo e a resolução do seu rombo financeiro. No entanto, descartar os dois supercarros carrega uma formidável semiótica. Palavra difícil? Bem, é fácil de entender. O leilão tem muito significado e não só para a sociedade, como para o próprio governo e seus integrantes. Vamos gastar menos com as nossas vaidades e mais com as políticas públicas que atendem às demandas da população.

 

Rápido para se livrar do incômodo dessas duas luxuosas máquinas de rodar, Caiado tem sido incrivelmente lento quanto ao resto. Daqui a alguns dias, completará três meses de mandato sem ter cortado despesas a fundo e sem começar a imprescindível reforma que o Estado reclama. Tal como os carrões declarados supérfluos, pululam sob o manto do governo órgãos sem nenhuma finalidade que não a de torrar o precioso dinheiro do povo, só quem em valores muito, mas muito superiores. Exemplos? A Goiásgás. A Celg Telecom. A Goiásparcerias. A Agência ABC, com suas estações de rádio e de TV que ninguém ouve ou assiste. Ou os escritórios de representação que Goiás tem em Brasília e em São Paulo. Para quê tudo isso? Para nada.

 

Caiado tem uma escolha: por um lado, pode ser o governador que levou o Estado ao reequilíbrio financeiro, mantendo a estrutura e as premissas que recebeu dos seus antecessores, por outro, tem tudo para se transformar no político que revolucionou Goiás e levou ao Brasil o novo paradigma de uma máquina pública eficaz, enxuta e 100% comprometida com os interesses do povo.