Delações esclarecerão a milionária “consultoria” de Marconi ao Banco Master
A mal explicada e suspeita “consultoria” ao Banco Master que rendeu ao ex-governador Marconi Perillo R$ 14,6 milhões de reais não é assunto que se encerra com a “nota explicativa” em que ele, Marconi, garante que apenas “prestou serviços a uma empresa considerada idônea à época da contratação, sem qualquer vínculo pessoal com seus dirigentes ou participação em sua gestão”. Longe disso. Marconi entrou em lista de pagamentos milionários que Daniel Vorcaro fez a gente graúda da República, especialmente ao ex-presidente Michel Temer, ao então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto e ao escritório da advogada Viviana Barci, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Tudo muito misterioso e questionável.
As investigações prosseguem. E dentro em breve se baseando nas delações que os principais envolvidos no escândalo estão preparando, inclusive o maioral da turma, Vorcaro. É daí que virão os esclarecimentos sobre a farra das consultorias e, a partir daí, gerando uma expectativa preocupante para Marconi: não há dúvidas de que o banqueiro hoje encarcerado na PF de Brasília terá todo interesse em proteger os tubarões com os quais fez negócios escusos (e que, inclusive, serão os mesmos que o julgarão, caso de Moraes e Dias Toffoli), porém o mesmo não se adequa aos chamados “bagrinhos” atraídos para a sua rede de corrupção. Esses, tudo indica, acabarão entregues sem dó nem piedade.
Para azar de Marconi, é aí, como “bagrinho”, que ele se encaixa: os R$ 14,6 milhões recebidos em parcelas (em 2023, R$ 1.673.511,85; em 2024, R$ 4.538.324,15; e em 2025, R$ 8.335.876,23) pelo ex-governador goiano são vistas como pouco mais do que troco em meio aos exorbitantes valores das propinas pagas pelo Banco Master. Houve gente que levou R$ 145 milhões. Quem pontua tão baixo na escala criminal comandada por Daniel Vorcaro, por óbvio, corre o risco de despontar à frente como cerejinhas no bolo de estórias que o banqueiro vai ou já está contando para a Polícia Federal.
Em Brasília, corre que os valores repassados a políticos e autoridades a título de “serviços de consultoria” ou “advocacia”, na verdade, seriam, em parte, também comissões por aplicações de fundos públicos de previdência e pela manipulação de precatórios. De forma irregular, porque esses investimentos foram feitos com a pecúnia de servidores e com recursos do Tesouro da União e dos Estados em uma época em que o banco não tinha classificação para salvaguardar capitais que evaporaram na movimentação criminosa entre 240 fundos e mais de 120 empresas, muitas de fachada, caracterizando uma enxurrada de fraudes. Ressalte-se: por ora, não há provas contra Marconi, pelo menos não além das estranhezas quanto ao seu papel de “consultor” do Banco Master.

Foi nessa roda-viva que sumiram R$ 40 milhões do fundo de previdência dos servidores de Aparecida, quando Vilmar Mariano chefiava a prefeitura. Trata-se de um exemplo clássico da bandalheira promovida pelo Banco Master com o conluio de gestores municipais e estaduais, no caso Vilmarzim: mesmo com a manifestação contrária do conselho gestor do AparecidaPrev, que se lastreou nas inconsistências cadastrais de uma instituição bancária já em processo pré-falimentar, essa pequena fortuna foi “investida” no Master sob a alegação de que um retorno maior estaria assegurado. Só que virou fumaça. Vilmarzim jura que não teve nada a ver com essa maracutaia, coisa difícil de acreditar devido ao montante elevado da operação sendo ele o prefeito em cujo mandato a tramoia se consumou. Detalhe: hoje, Vilmarzim é candidato a deputado estadual justamente pelo… PSDB de Marconi.
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Dias, ou noites, de pesadelos vêm aí para todos os que se enrolaram com o Banco Master. O processo de delações iniciado pelos principais responsáveis pelo escândalo ainda deve demorar, provavelmente mais dois meses, no mínimo. Até lá, as tensões continuarão no ar, no aguardo das bombas fatalmente programadas para explodir no colo de quem trançou dinheiro sujo. Reputações, algumas já bem manchadas, parecem próximas de pulverização definitiva.