Wilder e Marconi vão para a eleição sem partidos aliados, sem prefeitos e sem tempo de rádio e TV
O ex-governador Marconi Perillo e o senador Wilder Morais apresentam-se como candidatos ao Palácio das Esmeraldas. Marconi pelo PSDB, um partido limitadíssimo em Goiás, com 3 prefeitos e pouquíssimos deputados, enquanto Wilder vai pelo PL, uma potência em termos nacionais, mas insignificante regionalmente, alinhando somente 12 prefeitos e menos de meia dúzia de deputados estaduais ou federais, somados. Tratam-se, em ambos os casos, de bases excessivamente fracas para sustentar um projeto majoritário, cujas fragilidades, no entanto, vão muito mais além.

Nem Marconi nem Wilder conseguiram até agora partidos para engrossar as suas respectivas alianças. O PSDB de Marconi é federado com o Cidadania, sem quadros em Goiás e muito menos bancada na Câmara Federal, onde se resume a 2 parlamentares. (Adiante se verá a importância desse detalhe). Já o PL de Wilder anuncia uma composição com o Novo, outra nulidade política estadual e igualmente na Câmara: apenas 5 deputados. Votos, portanto, nenhuma dessas legendas acrescenta grande coisa. Lideranças de algum peso eleitoral, menos ainda.
E agora vem o que de fato importa: o tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão. O PSDB atribuirá a Marconi alguns segundos, já que a sua bancada na Câmara, critério legalmente estabelecido para calcular o acesso ao horário eleitoral, está restrita a 13 deputados, com a adição do Cidadania. Levando-se em consideração o espaço obrigatório assegurado a todos os postulantes, individualmente, como retribuição pelo registro no TSE, Marconi mal disporá de 30 segundos no palanque eletrônico para promover a sua candidatura. No máximo. Aparecerá, dirá uma frase, lembrará o seu nome e número, tocará um trechinho do seu jingle e adeus. Inserções espalhadas pela programação das emissoras de rádio e televisão, que, ninguém contesta, garantem maior efeito sobre o eleitorado? Duas.
Wilder, em razão da bancada do PL se posicionar disparadamente como a maior da Câmara (112 parlamentares, hoje), se encontra em uma situação melhor: a depender dos cálculos finais da Justiça Eleitoral, contará com a chance de chegar a quase 1,5 minuto e no máximo 6 comerciais diários de 30 segundos. Bem acima de Marconi e quem sabe suficiente para enviar uma mensagem com algum conteúdo às eleitoras e aos eleitores, a depender da qualidade e objetividade do marketing adotado por um milionário dono da fama de unha de fome por detestar investir dinheiro na política – um meio em que caiu acidentalmente. Considerando-se que o representante da base governista Daniel Vilela navegará soberano por 6 minutos nos blocos do meio-dia e da noite e nas 24 pílulas esparramadas durante a programação diária e cotejando-se esses dados, dá para adiantar que a concorrência será… desproporcional.
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Na falta de partidos, apoio de prefeitos e deputados e na ausência de amplitude no horário de propaganda gratuita no rádio e TV, as campanhas de Marconi e Wilder enfrentarão percalços terríveis. Quanto a prefeitos, Marconi e Wilder já objetaram: Ronaldo Caiado foi eleito em 2018 com o apoio de reles 6 prefeitos. Marconi Perillo, em 1998, arrastou tão somente 33 para a sua procissão. É verdade. Esquecem-se de que cada um deles, no seu momento, personificou processos de mudança de forte repercussão social e política. Convenhamos, não é o que Marconi ou Wilder simbolizam na eleição deste ano, marcada pelo escopo da continuidade dos avanços conquistados pela gestão do governador Ronaldo Caiado (bandeira exclusiva de Daniel Vilela). Marconi tem a cara de uma volta ao passado. Wilder… o quê mesmo?

A eleição para escolher o próximo governador de Goiás, portanto, se dará sem a menor paridade de armas. É daí que nasce o favoritismo de Daniel Vilela, tracionado pelo apoio decidido de Caiado e pelo potencial de mobilização da base aliada e do volume de lideranças de expressão agregadas de forma esmagadora ao vagalhão governista. Marconi e Wilder, de resto, padecem diante da crise de identidade dos seus respectivos projetos, Marconi talhado por uma rejeição que insiste em se manter nas alturas, Wilder afogado pela carência de um discurso para além do público bolsonarista radical, com os dois carecendo de uma estrutura política mais consistente para o fim que almejam. Vêm aí dias difíceis para essa dupla de candidatos.