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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

29 mar

Fátima Gavioli imprudentemente indicou nomes que não conhecia para representar a Secretaria de Educação no Conselho Estadual de Educação, afrontando a Constituição. E Caiado aceitou

É um desastre a mensagem do governador Ronaldo Caiado à Assembleia Legislativa pedindo aprovação para seis novos nomes para o Conselho Estadual de Educação, como representantes da Secretaria Estadual de Educação. Nenhum dos indicados tem minimamente qualquer experiência com a rede estadual de ensino, como exige a Constituição do Estado de Goiás, e, pior, alguns têm óbices como condenações criminais ou formação e experiência em áreas que nada têm a ver com a Educação, como o marketing político, caso de um deles, ou, ainda, apresentam como qualificação maior o parentesco com Caiado.

 

Tudo começou com um ofício da secretária Fátima Gavioli(foto), encaminhando seis nomes ao governador, que por sua vez aceitou sem questionamentos a sugestão e os repassou à apreciação da Assembleia. Provavelmente, sem uma avaliação mais profunda ou séria. A Constituição Estadual exige que os representantes da Secretaria de Educação no Conselho Estadual de Educação tenham conhecimento e experiência na área do magistério do ensino fundamental público, coisa que nenhum deles pode exibir. Um vexame, mas que leva a assinatura de Caiado, sim, o mesmo Caiado que a cada dia repete que a Educação em Goiás vai passar por uma mudança e evoluir para uma nova realidade, mas não tem o menor pejo em indicar para o CEE um dirigente do seu partido, o DEM, condenado em dezembro último a mais de 7 anos de cadeia por corrupção – algo que pode ser definido como um péssimo exemplo, ou, no limite, como uma aprovação do governador a quem comete delitos e é erigido à condição de orientador/formulador da política educacional do Estado, exatamente o contrário do discurso que o elegeu.

 

Quem compulsa o processo que está na Assembleia sobre os novos membros do CEE – nenhum deles qualificado conforme as regras constitucionais ou diante das exigências colocada para um educador – verifica que Caiado assinou sem ler ou, se leu, agiu de má fé, no intuito de premiar aliados e familiares. Isso seria admissível, embora questionável, em qualquer espaço do governo, menos em um fórum superior como o Conselho Estadual de Educação. Não dá para aceitar. E é de se perguntar: cadê o candidato que venceu as eleições prometendo ética, mudança e correção moral para o governo de Goiás?