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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

02 abr

Para derrubar a emenda do orçamento impositivo e criar uma base parlamentar de apoio, governo Caiado abre “balcão de negócios” e troca cargos por votos na Assembleia

Não é este blog que afirma, mas um dos principais aliados do governador Ronaldo Caiado, o deputado Major Araújo, um dos primeiros a declarar apoio ao candidato do DEM na eleição passada; segundo o Major, o Palácio das Esmeraldas abriu um “balcão de negócios” para trocar cargos por votos na Assembleia Legislativa.

 

Claro, a estratégia dos “conchavos” que o novo governador tanto condenou tornou-se a nova realidade à qual Caiado, pisoteando a própria biografia, aderiu sem o menor constrangimento. O Diário Oficial é a prova. A mãe do deputado Virmondes Cruvinel, por exemplo, foi nomeada chefe de gabinete da Emater. O irmão do deputado Humberto Aidar já está empoleirado em uma superintendência da Secretaria de Comunicação. Familiares do deputado Paulo do Trabalho ocupam cargos de confiança em órgãos governamentais na região nordeste. E por aí vai. Caiado, pessoalmente, não suja as mãos. Quem recolhe as indicações e providencia as nomeações é o secretário de Governo Ernesto Roller, que já está se incompatibilizando com os colegas importados de fora, quase todos se sentindo traídos: receberam de Caiado carta branca para escolher seus assessores, também buscados fora, mas agora substituídos pelos nomes, digamos assim, recomendados pelos deputados.

 

O governo tem consciência que a votação da emenda que amplia para 1,2% as emendas dos deputados ao orçamento e as retiram da rubrica de restos a pagar, tornando a sua quitação automática, será o grande teste para a base de apoio que o próprio Ernesto Roller reconhece, em declarações públicas, como “em formação”, mas ainda não cimentada. Até a semana que vem, a matéria será submetida ao plenário – e por enquanto dentro da perspectiva de ser aprovada contra as intenções do governo, pela independência garantida aos deputados para atender seus municípios com pequenas obras e doações. Há outras matérias importantes à vista, como a segunda parte da reforma administrativa, que, pelo seu provável caráter polêmico, estão na Casa Civil aguardando a estruturação da base de apoio para serem encaminhadas à Assembleia. Por ora, seguem engavetadas, para evitar tornar ainda mais críticas e delicadas as pontes que vão do Executivo para o Legislativo e vice-versa, enquanto o “balcão de negócios” denunciado pelo deputado Major Araújo funciona a todo vapor para pavimentar (e conspurcar) o caminho.