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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

25 jun

Investigações sobre corrupção em Formosa se aproximam de Ernesto Roller, que era prefeito quando empreiteiras foram favorecidas e recursos desviados para o candidato a deputado que apoiou

Parece até uma crise anunciada para eclodir daqui a pouco: a situação do secretário de Governo Ernesto Roller é cada vez mais delicada, diante das investigações do Ministério Público Estadual que apuram corrupção em Formosa, durante curto período de dois anos em que ele foi o prefeito da cidade. Fragilizado pela desarticulação entre os interesses do governo do Estado e as votações da Assembleia, área em que ele atua, Roller tem assistido impotente a sucessivas operações da polícia civil e do MP, com a prisão de ex-funcionários de alto escalão e a denúncia de esquemas montados para levantar recursos para a campanha de um ex-auxiliar que ele bancou para disputar uma vaga de deputado estadual.

 

Na Secretaria do Governo, mesmo depois do fracasso na tentativa de montar uma base segura de apoio parlamentar para assegurar a governabilidade de Caiado, Ernesto Roller é quase que intocável. Afinal, ele renunciou a dois anos de mandato como prefeito de Formosa para assumir o cargo, sacrifício que obriga o Palácio das Esmeraldas a retribuir com apoio incondicional à sua permanência – mesmo em uma gestão cujo chefe maior gosta de se apresentar como o ícone maior da honorabilidade e da honestidade. É possível que, em circunstâncias normais, Caiado já tivesse arranjado um jeito para se livrar de um secretário incomodamente envolvido em apurações sobre atos praticados no período em que foi prefeito e administrou uma estrutura instalada em um pequeno prédio de dois andares, com auxiliares, nas salas ao lado, ostensivamente cometendo crimes difíceis de serem ignorados.

 

Um deles é o que foi denunciado nesta terça-feira. Ernesto Roller assinou um contrato de propaganda de R$ 760 mil reais, valor exagerado para a realidade do município, que, suspeita-se, foi inteiramente desviado para a campanha do seu ex-secretário de Finanças, lançado pelo próprio Roller para disputar uma vaga na Assembleia. As provas de que a operação não passou de um assalto aos cofres públicos são sólidas. Se o então prefeito está envolvido, é o que se verá nos próximos dias. Com consequências danosas para o governo Caiado.