Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

08 jul

Caso Ipasgo precisa ser melhor esclarecido: como um desvio de R$ 1 bilhão não tem até agora um único nome apontado como envolvido nem se tem a menor ideia do paradeiro dessa montanha de dinheiro?

Todo o barulho feito até agora sobre o desvio de R$ 1 bilhão do Ipasgo, nos governos passados, esbarra em uma dúvida que começa a crescer: como é que um caso tão escandaloso de corrupção não tem até agora nenhum nome apontado como envolvido nem muito menos se tem a menor ideia sobre o paradeiro dessa montanha de dinheiro, que é simplesmente impossível de se ocultar?

 

Falatório está havendo e muito. O governador Ronaldo Caiado, o secretário de Segurança Rodney Miranda, as páginas e mais páginas de O Popular e mais uma infinidade de reportagens e notas descreveram um esquema de desvio de recursos que estaria perto de completar 10 anos e implicaria em cerca de 100 mil afiliados ao instituto de forma fraudulenta, além do pagamento de hospitais, laboratórios e médicos por serviços não prestados. Curiosamente, ninguém foi até agora responsabilizado pela suposta fraude, a não ser um auditor que assinava os papeis e seria fantasma, ou seja… não existe.

 

É tudo muito estranho. E em algumas particularidades, bem fantasioso. É bom lembrar que o atual presidente do Ipasgo não é um técnico, mas um político de terceira extração que acompanha Ronaldo Caiado há anos a fio e presta a ele fidelidade canina. Vejam só, leitora e leitor: os valores do golpe, inicialmente estimados em R$ 200 milhões, o que já é muito, subiram à medida em que o caso foi ganhando as manchetes. Passaram para R$ 400 milhões, evoluíram para R$ 500 milhões e finalmente estacionaram na espetacular casa de R$ 1 bilhão – nada disso comprovado por um mísero documento ou sequer uma planilha do Excel. O secretário Rodney Miranda, quando o escândalo foi revelado, prometeu apresentar detalhes e nunca mais voltou a falar com a mídia. Caiado, por sua vez, cumpriu o seu tradicional script, acusando as gestões que o antecederam e criando uma figura de linguagem, a dos “goianos que agora estão pagando a fatura da corrupção”.

 

Em 1999, quando assumiu o seu primeiro mandato, o governador Marconi Perillo também denunciou uma roubalheira no Ipasgo. Na época, teriam desaparecido R$ 50 milhões, que hoje corresponderiam a quase R$ 200 milhões. O noticiário ferveu, enquanto braçadas de papeis foram entregues ao Ministério Público, inutilmente, mas servindo para fotos de primeira página. O resultado? Nunca se comprovou qualquer irregularidade. Foram só bravatas e marketing contra as administrações do MDB, destronadas por Marconi.

 

Ainda é cedo para dizer que se trata da repetição do mesmo fenômeno ou alguma coisa parecida. Mas o governo Caiado, para demonstrar que é sério, deveria ser transparente e divulgar as informações corretas que comprovariam se o que está dizendo que aconteceu dentro do Ipasgo, aconteceu. Quem são os responsáveis, quais os prestadores que levaram vantagem e onde o dinheiro foi parar. Isso parece ser o cerne de qualquer investigação policial. O básico. O fundamental. Mas está sendo esquecido em favor da propaganda destrutiva contra os adversários.