Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

11 jul

Bolsonaro fecha rádio federal que existia desde 1923, mas ninguém ouvia. É exemplo que Caiado deveria seguir e extinguir a TBC e a RBC, que não têm audiência e torram dinheiro público à toa

O presidente Jair Bolsonaro determinou a extinção de uma emissora educativa de rádio do governo federal, a rádio MEC, que não era ouvida por ninguém e só servia para desperdiçar dinheiro do contribuinte. No próximo dia 31, as transmissões serão encerradas, depois de uma trajetória que começou gloriosamente nos tempos pioneiros de 1923, mas hoje terminou completamente superada pelos tempos modernos.

 

Taí, leitora e leitor: é um exemplo que o governador Ronaldo Caiado, se quisesse mesmo implantar a mudança que prometeu na campanha eleitoral e que convenceu o eleitor goianos a sufragar maciçamente o seu nome, deveria seguir. O governo de Goiás é dono da Televisão Brasil Central e da Rádio Brasil Central, que atua em duas frequências (AM e FM), com uma característica comum: são veículos com audiência zero e custam caro, muito caro, para funcionar em um mundo onde não têm mais eficácia como projeto de comunicação.

 

Não há o menor sentido, especialmente diante da situação de precariedade financeira do caixa do Estado, em manter estruturas que apenas fazem de conta que estão prestando algum tipo de serviço público. Por que razão o governo de Goiás deve sustentar uma televisão e duas rádios que nada têm a ver com nenhuma política pública ou algum interesse da população? Caiado, se tivesse juízo, devolveria as concessões e colocaria a Agência ABC imediatamente em liquidação, processo demorado e custoso, mas que começaria a gerar diminuir despesas desde o seu primeiro momento até o dia em que viesse a acabar. Isso é parte do “dever de casa” que um governante realmente comprometido com o interesse coletivo seria obrigado a fazer. Mas parece que não é o caso de Caiado.