Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

09 abr

Grande empresariado, que ganhou bilhões com os incentivos fiscais, vira as costas para a população de Goiás e, com raríssimas exceções, nega-se a se solidarizar com a população

O grande empresariado de Goiás, que ganhou bilhões com a desbragada política de incentivos fiscais dos governos do PSDB, virou as costas para as goianas e os goianos e, com raríssimas exceções, está se omitindo na crise social e econômica do coronavírus, ao se recusar a qualquer tipo de solidariedade -e se negar a abrir seus bolsos abarrotados para doar recursos e produtos para apoiar a população carente do Estado.

Vamos matar a cobra e mostrar o pau: confiram, leitores, no site que a Organização das Voluntárias de Goiás – OVG abriu para prestar contas dos donativos e ajudas recebidas de empresas ou particulares. É algo que envergonha os grandes capitalistas estaduais. Um vexame. Até hoje, quase dois meses depois da chegada da Covid-19 a Goiás, entraram contribuições que mal chegam a R$ 3 milhões de reais. Pouquíssimas empresas abriram as suas burras, valendo como honrosas exceções algumas do setor de álcool e a GSA Alimentos, administrada por Sandro Scodro,  filho do presidente da FIEG Sandro Mabel, que repassou R$ 500 mil reais em dinheiro vivo para a OVG. É de se reconhecer também o setor de laticínios, que se mobilizou para doar 100 mil litros de leite e a TV Record, que participou com mil cestas básicas. Fora isso, quase nada.

Está tudo lá no site da OVG, item por item. A primeira-dama Gracinha Caiado, reconheça-se, tem se esforçado, mas esbarra no paredão da insensibilidade dos donos das maiores fortunas de Goiás, quase nenhum deles – anotem bem: quase nenhum deles – até agora capaz de abrir mão de alguns trocados para amparar o próximo em meio à situação de emergência humanitária em que o Estado está ingressando. É deprimente. A FIEG, que deveria ter um papel preponderante, nesta hora, como as suas congêneres em outros Estados, preferiu lavar as mãos quanto as suas responsabilidades sociais e insistir apenas no falatório inconsequente para quebrar a quarentena, contrariando todas as opiniões científicas que o governador Ronaldo Caiado está seguindo para impor o isolamento social.

Todo ano, os grandes empresários de Goiás embolsam entre R$ 8 e 12 bilhões em recursos públicos, em razão dos absurdos benefícios tributários que recebem, sem dar a necessária contrapartida para a sociedade – como comprovou a CPI dos Incentivos Fiscais. Até agora, as doações que fizeram à OVG correspondem a um milionésimo desse valor extravagante. Só que seria o instante de devolver uma pequeníssima parte disso, caso fossem conscientes e tivessem algum tipo de preocupação com os seus semelhantes desfavorecidos.