Senado: Gracinha e Gayer estão topo, mas Zacharias Calil ainda pode levar a 2ª vaga

As últimas pesquisas mostram que as 2 vagas por Goiás no Senado da República caminham para as mãos da ex-primeira-dama Gracinha Caiado (UNIÃO) e do deputado federal Gustavo Gayer (PL), em uma espécie de dobradinha cruzada entre governo e oposição. Os dois lideram, por exemplo, o último levantamento do Paraná Pesquisas, divulgado nesta semana, Gracinha em 1º lugar com 41% das intenções de voto e Gayer na 2ª posição com 27,1%.
Gracinha sempre foi considerada como favorita absoluta e praticamente dona da 1ª vaga. Gayer, caso consumado o acordo inicialmente negociado entre a base governista e o PL, depois quebrado pela insistência do senador Wilder Morais em se lançar para o Palácio das Esmeraldas, seria o nome mais provável para a 2ª vaga e ainda é. No cenário estabelecido a 45 dias da data das urnas, as coisas parecem pré-definidas dentro do que foi previsto inicialmente, ou seja, com a eleição de Gracinha e Gayer.

Mesmo assim, há possibilidades de mudança nesses prognósticos, pelo menos quanto a Gustavo Gayer, claro. A posição da ex-primeira-dama é imexível. Ela vai ser eleita e pronto. Exatamente por essa condição, há que se considerar um efeito de arrasto a partir da candidatura de Gracinha como elemento de influenciação sobre o eleitorado, empurrando Gayer para o lado e abrindo espaço para a ascensão do deputado federal Zacharias Calil. É ele, pelo perfil ultra adequado ao mandato senatorial, quem absorveria os reflexos positivos da opção majoritária das goianas e goianos por Gracinha Caiado. De repente, Zacharias pode levar a 2ª vaga, ainda mais diante das limitações da campanha de Gayer, amarrado ao peso morto representado pela chapa de Wilder Morais e a ausência de entusiasmo da sua campanha.

Alguém dirá: e o senador Vanderlan Cardoso? Ele não é uma hipótese para a 2ª vaga? Não é. Vanderlan, mesmo tendo passado os últimos 8 anos na mais alta Câmara Legislativa do país, não construiu alicerces para a sua reeleição. Nunca entendeu qual é o papel do mandato senatorial e gastou seu tempo correndo atrás de emendas orçamentárias para enviar máquinas para as prefeituras goianas. Bateu recordes em quantidade de equipamentos pesados entregues a prefeitos. Isso, no entanto, não cria uma marca. Não diz nada de significativo para o eleitorado. Não configura uma atuação institucional. Nada a ver com a defesa de projetos para Goiás, caracterizando mais uma distorção ao revelar um senador da República trabalhando como despachante de luxo dos municípios em Brasília.
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De resto, Vanderlan Cardoso é ruim de chegada. Sai bem, termina mal. Perdeu 2 eleições para a prefeitura de Goiânia depois de largar em 1º lugar nas pesquisas. Na última, em 2024, acabou em 5º lugar, com uma ninharia de votos. Sua mulher, Izaura Cardoso, ficou em 3º lugar para a prefeitura de Senador Canedo. Agora, Izaura tornou-se um problemão para o marido. Poucos, na base governistas, confiam em Vanderlan. Em 2022, ele indicou Izaura para a 1ª suplência de Wilder Morais. Se Wilder vencer em outubro próximo ela ganha automaticamente 4 anos no Senado. Ou seja: Vanderlan tem um pé na canoa de Daniel Vilela, o que fez só para se tornar aceitável para os prefeitos governistas (a maioria esmagadora) beneficiados pelas suas emendas, e outro na canoa de Wilder. É perceptível que interesses pessoais, a partir dessa situação, falam mais alto e justificam as suspeitas sobre a lealdade atual e futura de Vanderlan.
O ex-prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, pelo jeito, não vai decolar. Ele paga o preço das decisões equivocadas do passado, errou ao não escolher uma candidatura a deputado federal e não está conseguindo mostrar a altura necessária para o mandato senatorial. Como avulso, isolado, ficou com o horizonte limitado. A disputa real, portanto, está restrita a Gracinha Caiado, com Gustavo Gayer ou Zacharias Calil na 2ª vaga e… fatura liquidada, sem chances para mais ninguém.