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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

15 ago

Em campanhas eleitorais, ataques de baixo nível se voltam contra quem os faz

É claro que, de candidatos de oposição, é de se esperar que façam críticas, apontem erros, proponham soluções alternativas e jamais elogiem qualquer coisa nos adversários. É a lógica da política. Porém, não é algo tão simples assim. Um excesso, uma fala desequilibrada, e tudo se transforma em ataques de baixo nível, agressões, enfim, que terminam se voltando contra quem toma a inciativa. Em eleições para o governo de Goiás, o mais importante e decisivo pleito para os moradores do Estado, essa lógica assume um peso delicadíssimo e já mostrou seus efeitos em disputas passadas.

O melhor exemplo são as derrotas de Iris Rezende para Marconi Perillo em 2010 e 2014. A população se assustou com a ferocidade do discurso de Iris sobre o seu antagonista. Iris não teve receio em rebaixar o tom e se referir a Marconi em termos ásperos. Mostrou-se pequeno, ressentido, talvez apavorado pela iminente derrota. Nada de concreto ganhou ao percorrer essa trilha, ao contrário, espantou apoiadores e votos. Se já tinha sido superado por Marconi em 1998, acabou tomando novo revés, duplamente. Sua filha Ana Paula, candidata a vice de Wilder Morais, surpreendentemente repete esse erro nas eleições deste ano.

Daqui a menos de 50 dias, haverá votação para o Palácio das Esmeraldas. Campanha curta, que sempre beneficia quem está no poder, ao reduzir o espaço da concorrência. O clima eleitoral, em Goiás, é inegavelmente de continuidade das gestões muito bem aprovadas do ex-governador Ronaldo Caiado, com avaliação positiva de 87%, segundo pesquisas de credibilidade com as da Genial/Quaest e da Paraná Pesquisas. Caiado, para a sua sucessão, apontou o atual governador Daniel Vilela (MDB), também aprovado por 64% da população, conforme a Genial/Quaest. Um cenário difícil para a oposição, espremida em um prazo ínfimo para vender o seu peixe com sucesso.

 

 

Para Luis Cesar Bueno, do PT, não há brechas. Não alcança 5% nas pesquisas, quadro que não vai mudar devido ao clima hostil que ele encontra em um Estado marcado pelo antilulismo e pelo conservadorismo. É coadjuvante. Restam no páreo Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL). Marconi em 2º lugar, quase 20 pontos atrás de Daniel Vilela (o 1º, isolado), e Wilder na 3ª posição, a uma distância do líder perto de 30 pontos. Em síntese, uma perspectiva desesperadora para ambos: a soma das intenções de voto de Daniel Vilela, na Quaest e na Paraná, respectivamente, supera os 50% mais um – o que significa, no ritmo dessa festa, fatura liquidada no 1º turno.

Esse horizonte desfavorável leva a uma consequência inevitável: sem saída, Marconi e Wilder tendem a radicalizar, ajudados por um Luis Cesar sem nada a perder. Os 3 caminham para intensificar a fuzilaria contra Daniel Vilela. Marconi já começou. Wilder hesita, mas que não se duvide: ele escolherá o mesmo rumo. Luis Cesar ninguém ouve. Nas últimas manifestações de Marconi foi possível perceber com clareza a virulência. Não são apenas críticas, porém insultos, ofensas e fatos deturpados. A estratégia é arriscadíssima. O ex-governador desfruta de um recorde de rejeição, em torno de 50% da população, conspirando para que o seu estilo belicoso venha a ser igualmente rejeitado e que os 50% subam ainda mais.

 

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Não se iludam com Wilder Morais, leitoras e leitores. Ele não é nenhum bom moço. Na campanha fracassada do Professor Alcides para a prefeitura de Aparecida, Wilder mandou uma equipe especializada de jornalistas para sentar a pua no adversário Leandro Vilela. Foi lama para tudo quanto é lado. Não se respeitou nem a família nem a pessoa de Vilela. No que deu, todo mundo sabe. Alcides, que havia chegado a quase 60% nas pesquisas iniciais, desabou e se afundou humilhado no 2º turno com 30% dos votos. A pancadaria contra Vilela acabou nocauteando… Alcides. Tal como Marconi, na medida em que continua estagnado nas pesquisas, Wilder não aprendeu a lição e vai concluir que a única saída será bater como último recurso para forçar uma reação – coisa que Marconi já assumiu plenamente e Wilder, pelos seus antecedentes, logo copiará.

Marconi e Wilder conseguirão otimizar suas chances apelando para uma retórica de pedradas contra Daniel Vilela? A partir da comparação com situações análogas, a resposta é não, por 3 razões básicas: 1) levará a uma fuga de eleitores, refratários a discussões injuriosas que geram desinteresse e revolta na população; 2) mostrará falta de propostas, que, obviamente, deveriam ser o foco em uma campanha; e 3) provocará um efeito rebote negativo, ao confrontar a maioria do eleitorado que vê com bons olhos as gestões de Caiado e Daniel. Como Marconi e Wilder poderiam se comportar em meio a essas variáveis? Eles provavelmente não sabem. E, sem saber, vão optar pela ferramenta mais rente à mão: atacar, atacar e atacar mais. Sejam quais forem as consequências.