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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

08 ago

O festival de besteiras que assola as eleições deste ano em Goiás

A pouco mais de 50 dias para a data das urnas, as eleições majoritárias – para o governo do Estado e para 2 vagas no Senado – passaram a absorver na sua integralidade as manchetes políticas em Goiás e o foco de um volume imenso de perfis nas redes sociais. Essas últimas são um caso à parte: é um ambiente onde os frequentadores não escondem suas preferências, falam sobre os candidatos com paixão e, de resto, padecem de confiabilidade baixíssima. Os candidatos também estão lá, se esforçando para vender os seus respectivos peixes. Não é onde alguém verdadeiramente interessado nos fatos reais deve procurar informação.

Com a mídia tradicional, é diferente. Jornais, sites e emissoras de rádio e televisão oferecem um material muito mais interessante. Não que mereçam credibilidade automática: não existe imprensa neutra. Sempre há viés. Mas, quando se trata de material produzido com qualidade, vale a pena considerar o que se lê, ouve ou vê. Este blog colheu algumas manchetes para uma visão sobre o que é falso em temas das eleições em Goiás sobre os quais se deu mais atenção no noticiário, recentemente. Confiram a seguir,

Com 12 partidos, a coligação de Daniel Vilela (MDB), a maior, tende a se transformar em uma fonte de transtornos. Falso. Que candidato a cargo majoritário abriria mão do maior número de legendas para engrossar a sua campanha, aumentar seu tempo de televisão e garantir uma boa mobilização de rua, ao lado de mais lideranças no seu palanque? Nenhum. Quanto mais siglas aliançadas, melhor. Se isso vai gerar problemas no futuro, aí são outros quinhentos. E lembrando: é melhor ganhar a eleição e ter aliados problemáticos para administrar em vez de naufragar sem eles e ser engolido pelas águas da amargura.

O eleitorado bolsonarista vai se levantar na reta final e levar Wilder Morais ao triunfo. Conto da carochinha. Wilder cometeu o erro de fugir da imprensa, omitir-se na pré-campanha e ficar sem visibilidade até a convenção do PL que oficializou a sua candidatura. Com isso, perdeu meses preciosos – a última pesquisa Genial/Quaest acusou mais de 60% de desconhecimento para o seu nome. De resto, a hipótese de uma onda bolsonarista, como a da eleição do próprio Wilder senador em 2022, é remotíssima. Bolsonaro, por exemplo, não vai gravar vídeos nem para o filho Flávio. E surgiu um contexto inesperado: conforme a Genial/Quaest, Daniel Vilela supera Wilder Morais, com folga, na atração do voto bolsonarista radical. E dispara dentro do segmento da direita não bolsonarista.

A escolha de Luiz do Carmo para vice de Daniel Vilela gerou insatisfeitos que engrossarão as campanhas dos adversários. Absolutamente falso. Ninguém deixou ou deixará a campanha da base governista. Falta um ingrediente básico para estimular a fuga de apoios: expectativa de poder, escassa quanto a Marconi Perillo e Wilder Morais. O 1º está 20 pontos distante de Daniel e o 2º, mais de 30, ambos sem reação. Houve até apostas em uma “diáspora” após a oficialização de Luiz do Carmo. É um exagero cabeludo, sem o menor fundamento. E tanto que até agora não há relato de defecções, repetindo, desestimuladas pela ausência de projeção de vitória dos oponentes de Daniel Vilela.

O ex-governador Ronald Caiado não transfere votos nem para ele mesmo, quanto mais para Daniel Vilela. Falso. Essa ilusão se baseia na comparação, anticientífica, entre a aprovação de Caiado como gestor (mais de 70%), em 2022, e os 51,81% de votos com que ganhou no 1º turno. Quesitos matematicamente parecidos, sem, no entanto, correlação estrita. Importa é que Caiado venceu no 1º turno, façanha respeitada em qualquer eleição, em decorrência da sua superior avaliação positiva. Não à toa, as pesquisas indicam que o eleitor deseja continuidade (77%) e que Caiado merece eleger seu sucessor (71%). Esses dados são irrefutáveis. E Daniel Vilela é o grande beneficiário de tudo isso.

Ao optar por Luiz do Carmo para a vice, Daniel Vilela e Caiado perderam o apoio do agro. Irrelevante. Antes de mais nada, uma constatação: o agro não tem expressão eleitoral em Goiás, apesar da sua força na economia. Em 2022, o agro apoiou o Major Vitor Hugo contra Caiado. Resultado: Vitor Hugo só teve maioria em uma única cidade, Chapadão do Céu. Ainda que o ex-deputado federal Zé Mário Schreiner e seus parceiros resolvessem abrir uma dissidência, vingando-se do desfecho da questão da vice, esse movimento não teria o poder de mudar as tendências já registradas para as urnas deste ano. Só que não vão.

A disputa pelas 2 vagas no Senado está completamente aberta. Falso. Essa afirmação foi feita pelo Jornal Anhanguera 2ª Edição, ao comentar os 31% de indecisos quanto a esses votos, apurados pela pesquisa Genial/Quaest, usando esse índice como comprovação. Na verdade, a 1ª vaga está praticamente definida, por antecipação, para a ex-primeira-dama Gracinha Caiado, que nunca deixou de figurar em 1º lugar em todos os levantamentos dos institutos de credibilidade. É a 2ª vaga, apenas, que pode ser considerada alvo de uma corrida ainda sem prognósticos, já que 4 candidatos aparecem mais ou menos empatados: Gustavo Gayer, Vanderlan Cardoso, Zacharias Calil e Gustavo Mendanha.

As pesquisas que apontam o 1º lugar isolado para Daniel Vilela são feitas por “institutos amigos”. Jamais. Pelo menos 4 institutos de credibilidade nacional inconteste – Genial/Quaest, Atlas/Intel, Paraná Pesquisas e Real Time Big Data (nenhum conhecido por vender ou manipular pesquisas) – já atestaram com índices em linha que Daniel Vilela é o favorito, com chances de vencer no 1º turno, além de crescer continuamente, enquanto os adversários – Marconi Perillo, Wilder Morais e Luis Cesar Bueno – seguem estagnados, bem atrás. Os 3, desde o final do ano passado, não acrescentaram um décimo de intenções de voto aos seus números, enquanto Daniel sobe a cada rodada (no caso de Luis Cesar, um candidato do PT).

Wilder Morais é um político liberal, com formação de gestor, e, portanto, tem o melhor perfil para governar Goiás. Não cola. Wilder Morais, acusam os próprios bolsonaristas radicais em Goiás, aproximou-se do Jair por oportunismo e em busca de benefícios pessoais. Não tem ideologia nenhuma (assunto do qual ele não entende). Se perguntado, não saberia definir o que é direita ou esquerda. Gestor empresarial? Talvez, mas nunca tratou de políticas públicas. São coisas distintas. Em mais de 11 anos de mandato no Senado, não teve iniciativas em matéria da economia aberta ou, já que se apresenta como alguém que foi pobre e depois ficou rico, a favor da população vulnerável. Como candidato, não lançou ainda propostas que documentem o seu “liberalismo” ou a sua autoproclamada preocupação com o social.

Quatro candidatos ao Senado, pela base governista, prejudicam a campanha de Daniel Vilela. Nem de longe. A aliança em torno da reeleição do governador Daniel Vilela é vasta e daí se multiplicaram os postulantes senatoriais, sem potencial para tirar votos ou espantar apoios. Como se sabe, o 1º fator de aglutinação dos aliados de Daniel é a expectativa de poder, que os concorrentes não têm. Depois, não há discussão sobre a 1ª vaga ao Senado, que será arrebatada pela ex-primeira-dama Gracinha Caiado. Restam 3 nomes -Vanderlan Cardoso, Zacharias Calil e Gustavo Mendanha – perseguindo a 2ª vaga, para a qual, atenção, há um “adversário” muito bem cotado, Gustavo Gayer. São esses 4 que estão se enfrentando, sem nada a ver com riscos para a cabeça da chapa governista. Seja como for, de Goiás sairão 2 senadores para reforçar a direita na mais alta Câmara Legislativa do país.

Mais bobagens andam sendo ditas por aí, leitoras e leitores, sobre as eleições deste ano em Goiás. Voltaremos com uma nova compilação.

 

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