Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

20 ago

Apresentada como trunfo, a deslumbrada Raquel Teixeira aparece mais que Zé Eliton. Na verdade, é tiro no pé: ela representa o fracasso da política e defende minorias que a sociedade ainda não absorveu

Designada para liderar carreatas na região norte do Estado, a professora Raquel Teixeira, candidata a vice na chapa de Zé Eliton, é quem mais aparece nas imagens postadas pelos governistas nas redes sociais. É a que mais fala também (a propósito, no comício inaugural de Goianésia, ela fez um discurso tão longo quanto o do próprio governador, que deveria ser a estrela maior do evento).

 

Tudo isso sugere que há um investimento pesado da base governista na presença de Raquel na chapa. Ele seria mulher, seria a voz de minorias como o público LGBTs, seria, enfim, alguém com diálogo direto com a sociedade – vantagens que nenhuma outra das candidaturas tucanas teria.

 

Mas… a verdade é que ela configura apenas mais um erro de estratégia de Zé Eliton, dos muitos que ele cometeu e continua cometendo. Raquel Teixeira representa na chapa, isso sim, o fracasso da política. Só depois que falharam as tentativas de inclusão de partidos fortes como o PP, o PRB ou o PDT (para não falar no PROS e no PHS), é que ela foi chamada. E seu diálogo com a sociedade é um mito. Nunca existiu. Ela sempre foi uma secretária de Educação fechada no seu próprio universo, que procurou manter proximidade apenas com a docência da UFG. Mais ninguém. Ah, dirão, mas ela levou a representação de minorias como os LGBTs para a campanha de Zé Eliton. Pois é: infelizmente, há muito conservadorismo ainda e essa suposta utilidade pode ser mais um tiro no pé, haja vistas ao recuo a que o próprio governador Zé Eliton foi obrigado na sua posição sobre a descriminalização do aborto, que ele inicialmente considerou ser um direito individual de cada mulher e depois recuou, diante da reação de setores evangélicos, passando a admitir que a vida deve ser priorizada acima de tudo. Um discurso avançado, quase sempre, afugenta e não ganha votos.

 

O único e real motivo para a indicação de Raquel como vice de Zé Eliton é de economia interna do Tempo Novo: ela tem a confiança pessoal do ex-governador Marconi Perillo. Ele a queria desde o início. Ponto final.