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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

28 ago

Há sempre seguranças à esquerda e à direita de Zé Eliton. Ele já foi baleado e tem o direito de querer proteção, mas não faz sentido um candidato colocar homens armados entre ele e o eleitor

Mesmo antes de ser baleado em uma carreata em Itumbiara, na última campanha municipal, o governador Zé Eliton já cultivava o hábito de andar cercado de seguranças. Enquanto era vice-governador, deslocava-se em um carro seguido por dois outros lotados com agentes policiais. Tanto que, no incidente em Itumbiara, tão logo o atirador começou a disparar, sete seguranças surgiram do nada para revidar e matar o agressor (um deles foi atingido e morreu).

 

Tendo passado por uma circunstância extrema como essa, nada mais natural que Zé Eliton alimente temores quando a novos atentados. É compreensível. Mas a mensagem que esse comportamento passa, no caso de alguém que é candidato ao mais importante cargo do Estado e precisa demonstrar alguma proximidade com o eleitor, definitivamente não é positiva.

 

Veja as fotos acima, leitor, que resumem simbolicamente o comportamento do candidato tucano: em uma das carreatas no interior, no último fim de semana, ele saúda pessoas humildes nas calçadas. À direita, um segurança empoleirado no estribo da camionete está entre ele e, digamos assim, o povo. À esquerda, também. Ambos olham fixamente, atentos. Pode apostar, leitor, que os dois estão armados. Pode apostar também que há muitos outros por perto.

 

Nenhum dos outros candidatos majoritários, seja a governador, seja a senador, revela a mesma preocupação. Que vai mais longe: nas carreatas comandadas pela primeira-dama Fabrina Muller, ela também é vigiada de perto por uma tropa de guarda-costas. É só conferir as fotos no Instagram.

 

Quem disputa uma eleição e quer ganhar não pode ser protegido assim do eleitor.