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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

01 set

Para encobrir a falta do que mostrar quando foi senador por 4 anos, Marconi exibe na televisão a sessão, que ele presidiu, em que a Lei da Ficha Limpa foi aprovada. Mas isso não significa trabalho algum

Em seus primeiros programas no horário eleitoral na televisão, o ex-governador Marconi Perillo procurou responder a acusação de que passou quatro anos no Senado sem deixar nada de concreto com a exibição de cenas da sessão em que a Lei da Ficha Limpa foi aprovada, sessão que ele presidiu.

 

E daí? Comandar uma votação no Senado não tem grande significado. Foi a Lei da Ficha Limpa, mas poderia ser qualquer outra matéria, sem que isso indique necessariamente que o dirigente da sessão tem direito a algum crédito ou mesmo queira dizer que ele tem autoria sobre o que foi aprovado ou mesmo contribuiu para isso, já que quem preside tem que se comportar de forma neutra.

 

A Lei da Ficha Limpa foi um grande avanço para o país. Graças a ela, um presidiário acaba de ser impedido de disputar as eleições. Mas Marconi não tem nada a ver com ela. Não ajudou na sua proposição, não a apoiou com posições firmes no Senado e, afora o voto que deu a favor e o fato acidental substituir o presidente do Senado na sessão em que foi confirmada, só tem é que, como toda a classe política, se preocupar em não ser atingido pelos seus efeitos.

 

O que Marconi fez no seu programa de TV tem cheiro de algo que ele diz detestar: “fake news”.