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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

05 set

Tudo que passa da conta leva ao descrédito: excesso de humildade, nos discursos e nos programas de televisão, e ele não é assim, pode aumentar a rejeição a Zé Eliton

“Eu sou o Zé. Sou de família humilde. Ralei para chegar até o cargo de governador. Não tenho sobrenome ilustre. Não sou Caiado nem Vilela. Sou um homem simples. Pareço com você. Sou o Zé”.

 

Desde o início da campanha, há 20 dias e principalmente desde o começo do horário eleitoral no rádio e na televisão, o eleitor goiano está sendo bombardeado com uma overdose de declarações de humildade do governador Zé Eliton, cujo jingle principal chega a afirmar que, sim, Zé é “humilde e trabalhador”.

 

Mas há um problema aí: ele não é nada disso. Trata-se de um caso típico de propaganda enganosa. Seu pai nunca foi pobre – fez carreira como gerente do Banco do Brasil, cargo que quando Zé era criança tinha não só muita importância como também era bem remunerado. Tanto que pôde pagar a ele o curso de Direito na então UCG, hoje PUC, que nunca foi barato. Não foi tanta ralação assim.

 

Zé começou como advogado aproveitando-se também do espaço aberto pelo seu pai, que estava na política e foi prefeito de Posse. Lá eles construíram um mini feudo político. Lá Zé tem uma fazenda de 230 alqueires, sim, aquela que está às margens de uma rodovia em construção por R$ 65 milhões– segundo Ronaldo Caiado, totalmente desnecessária para a região. Nada disso é coisa de gente humilde.

 

Em excesso, tudo faz mal. O José Eliton que o marketing intensivo transformou em Zé está longe de ser o rapaz modesto, que ralou para chegar onde chegou e parece com a gente. Não é nada disso. Quem trabalha com ele sabe que é um chefe autoritário, que não hesita em elevar a voz com os subalternos – esses é que ralam para valer. Não é nem nunca quis ser um Zé. “Eu sou o governador”, não resistiu e disse ele mesmo no final da pílula de propaganda que tentava artificialmente vender a sua humildade – esforço de comunicação, na verdade, para diminuir a sua rejeição (nas pesquisas, é o 1º nesse quesito).