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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

06 set

Resposta de Marconi para a decisão da Justiça que o transformou em réu por corrupção passiva não tem consistência jurídica e não esclarece o caso, apostando na falta de informação do eleitor

O ex-governador Marconi Perillo foi transformado em réu por decisão do Poder Judiciário, que acatou uma denúncia do Ministério Público em que ele é acusado de corrupção passiva, ao lado do empresário Carlos Cachoeira.

 

Candidato ao Senado, Marconi sentiu-se na obrigação de vir a público para dar explicações. Mas, em vez de encarar o assunto de frente, recorreu a argumentos fantasiosos, sem consistência jurídica. Pior, apostando na falta de conhecimento do eleitor sobre questões judiciais.

 

O tucano considerou a aceitação da denúncia como uma ação eleitoreira, destinada a prejudicar a sua candidatura. Não é verdade. Essa é a desculpa mais esfarrapada que um político pode dar quando é envolvido em escândalos. A decisão do juiz foi essencialmente técnica. O magistrado se fundamentou no Código de Processo Penal e nas provas anexadas ao processo, que estava em tribunal superior em Brasília, mas desceu para a 1º instância depois que Marconi renunciou ao cargo de governador e perdeu o foro privilegiado. Portanto, nada de eleitoreiro ou excepcional, apenas tramitação ordinária, mas não “mecânica”, uma vez que a denúncia poderia ter sido rejeitada, porém acabou aceita.

 

Marconi também garantiu que já foi “inocentado” pelo próprio Ministério Público nesse caso. Ora, se foi, como é que a denúncia foi apresentada pelo próprio MP? Ou o MP um dia considera o ex-governador livre de culpa e no outro muda de ideia, pedindo a sua condenação? Não tem sentido.

 

Por último, ele lembra que ganhou uma ação de indenização contra o delator que deu as informações sobre os desvios de recursos apontados no processo. É verdade. Só que isso ocorreu em uma ação cível, que não tem nada a ver com procedimentos penais, esses caminhando em esfera própria, como se sabe. As provas que estão nos autos criminais não são as mesmas usadas na ação de indenização, que apurou danos morais e não a prática de corrupção passiva. Não há a menor relação entre um processo e outro. O que foi decidido lá não interfere cá.

 

Marconi continua devendo colocar tudo em pratos limpos. Os esclarecimentos que deu foram muito, mas muito insuficientes.