Informações, análises e comentários do jornalista
José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

10 set

Foi erro lançar Zé Eliton, nome fraco e sem personalidade, quando a rejeição a Marconi exigia um candidato forte e independente, capaz de pelo menos dar alguns passos por conta própria

No passado, Marconi Perillo chegou a desfrutar de uma força de tração tão poderosa que, em 2006, conseguiu arrastar o apagado Alcides Rodrigues e o levar a uma vitória sobre Maguito Vilela, que começou a campanha com mais de 50% das intenções de voto.

 

Mas esse Marconi não existe mais. Durante todo o seu 4º governo, pesquisas sucessivas mostravam que a sua administração tinha baixíssima aprovação e que havia surgido na sociedade uma onda de rejeição pessoal a ele. Tudo indicava que o tucano-chefe, ao ter o seu prestígio popular deteriorado, não poderia mais funcionar como locomotiva da campanha de um candidato fraco e sem personalidade como Zé Eliton, mas, ao contrário, deveria apoiar alguém politicamente mais robusto e com alguma autonomia de voo, um mínimo de carisma e atuação marcada pela independência. Assim, a base governista, mesmo com a fadiga de 20 anos de poder, teria chances de vencer.

 

Os governistas ignoraram a realidade e mergulharam em um mundo de fantasia. Escolheram Zé Eliton, totalmente identificado com a imagem de marionete de um Marconi que, agora, esperneia para garantir a sua própria eleição ao Senado, correndo riscos, mal dando conta de si mesmo – como poderia fazer alguma coisa pelo Zé?