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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

01 dez

Tentativa de emplacar seu ex-chefe de gabinete em mandato na AGR, impondo-o a Caiado, deslustra o legado de Zé Eliton tanto quanto a nomeação de um cunhado de Marconi para o TCM

Zé Eliton, em declarações e discursos após perder a eleição, repetiu várias vezes que tinha preocupação com o legado administrativo e político tanto seu, como governador tampão, quanto o do seu antecessor Marconi Perillo. Seria algo assim como cuidar e defender da imagem de ambos como gestores do Estado e de tudo o que fizeram – na sua visão – de positivo para os goianos.

 

Mas, se Zé fala, na prática não faz o que diz. Ele se candidata a ser lembrado muito mais por atos mesquinhos que assinou com a poderosa caneta de governador. Um deles foi a nomeação de Sérgio Cardoso, cunhado de Marconi, para uma vaga no Tribunal de Contas dos Municípios – e, pior, como o primeiro decreto logo após assumir o governo. Outro é a tentativa, que o apequena ainda mais, de nomear seu ex-chefe de gabinete Charles Antonio(foto) para um mandato de 4 anos na Agência Goiana de Regulação – que Ronaldo Caiado seria obrigado a engolir, embora se trate de personagem a quem não dedica nenhuma confiança e muito menos ainda gabaritado tecnicamente para o cargo, já que é radialista, não  tem curso superior e sua currículo se limita à ocupação de cargos de assessoria a políticos.

 

A manobra é escandalosa: o atual presidente da AGR, Ridoval Chiarelotto, foi convencido a renunciar antes do fim do seu mandato e imediatamente nomeado para uma sinecura, também livre do alcance do governo Caiado, como compensação. Na sequência, Zé Eliton enviou mensagem à Assembleia, indicando Charles Antonio para a vaga. Se for aprovado – o que não é fácil – ele vai para o posto por 4 anos e não pode ser demitido dentro desse prazo, passando a ser o responsável pela fiscalização e regulação, em Goiás, do transporte rodoviário intermunicipal, do saneamento básico, dos contratos com organizações sociais, dos recursos hídricos, das parcerias público-privadas e da energia elétrica.

 

Não tem cabimento. Zé deveria saber que, mais tarde, a história vai lembrá-lo por esses pecados mortais muito mais do que por qualquer acerto. Seu legado, se houver algum, será constrangedor.