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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

07 mar

Maior trunfo dos governos Marconi e Zé Eliton, bons resultados de Goiás no IDEB foram obtidos com manipulação do ensino – pode chamar de fraude – que prejudicou milhares de alunos

Nos últimos anos, os goianos se acostumaram com a auto-exaltação dos governos Marconi Perillo e Zé Eliton a respeito dos bons resultados conquistados pela Educação estadual no ranking do IDEB – a avaliação do Ministério da Educação que mede a qualidade do aprendizado nacional e estabelece metas para a melhoria do ensino, Estado por Estado. Goiás alcançou índices espetaculares, que chamaram a atenção do país e deveriam servir de orgulho para os goianos… caso fossem verdadeiros.

 

Não são. Goiás escalou as alturas do IDEB graças ao que se pode chamar de fraude, ou seja, uma série de manipulações que a Secretaria de Educação, sob o comando da professora Raquel Teixeira, colocou maliciosamente em prática, sem preocupação com as suas consequências danosas – e elas agora apareceram, através dos milhares e milhares de alunos que foram prejudicados com o encurtamento dos seus anos de estudo exclusivamente para “melhorar artificialmente as notas da rede estadual no IDEB”, como aponta, mais uma vez, o jornalista Márcio Leijoto em nova matéria no jornal O Popular (ele já publicou outras sobre o mesmo assunto).

 

Para o cômputo do IDEB, os índices de evasão e de aprovação são os mais importantes. A redução de um e a elevação de outro implicam automaticamente no avanço da posição de um Estado. E o que Raquel Teixeira fez? Ela retirou os alunos dos cursos noturnos da rede estadual do cálculo das taxas de evasão e de aprovação. Por um motivo simples: quem estuda à noite trabalha durante o dia, quando vai para a escola, está cansado e não mostra rendimento adequado – e há também muita reprovação. E, consequentemente, o número que abandona as aulas ou não consegue aprovação é muito alto. E sem falar que não se dariam bem na prova presencial. Raquel criou um emaranhado de portarias e resoluções, transferindo os alunos dos cursos noturnos, sem que eles soubessem, para um programa chamado PROFEN – Programa de Fortalecimento do Ensino Noturno, que, na prática, equivale ao ensino supletivo (tecnicamente chamado de EJA – Educação de Jovens e Adultos) e não entra na conta do IDEB. Cerca de 17 mil estudantes foram migrados, sem saber. Tudo na mais total improvisação, como mostra O Popular. E com a redução da carga horária, equivalente a um ano de estudos.

 

Tudo foi feito de olho na busca de um falso desempenho no IDEB que pudesse ser vendido eleitoralmente – tanto que Raquel Teixeira acabou como candidata a vice-governadora. Mas, como se sabe, não deu certo: os três, Marconi, Zé e Raquel, perderam a eleição. Uma professora especialista da UFG, Maria Margarida, definiu para O Popular a manipulação como “uma tragédia”, ou seja, o Estado se livrou de um grande contingente de alunos para evitar que eles entrassem na avaliação do IDEB. Em uma palavra: crime.