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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

27 mar

Vexame: situação financeira da prefeitura de Goiânia, que foi vendida como maravilhosa e 100% resolvida sob Iris, agora é apresentada como “difícil” para negar ajuda aos contribuintes da capital

É um vexame. Uma atitude mesquinha que não faz jus à história de Iris Rezende, um político que sempre foi solidário com o próximo, mas isso, agora, parece que nunca foi além de tapinhas e abraços hipócritas nas costas das eleitores e eleitores. Iris, que vendeu a sua prefeitura como 100% resolvida financeiramente, nadando em um mar de rosas fiscal que permitiu uma explosão de obras pela capital afora, agora está alegando que não tem caixa e vive um momento difícil que impossibilita concessões aos contribuintes – como o adiamento do pagamento de impostos e taxas municipais, que prefeitos de cidades vizinhas, como Aparecida e Trindade, já anunciaram para as suas cidadãs e seus cidadãos.

Textualmente,  falando em nome do Paço Municipal, olha o que disse em nota oficial a Secretaria de Finanças, que nem o prefeito nem o titular da pasta, Alessandro Melo da Silva(foto acima), tiveram a hombridade de assinar: “A Secretaria de Finanças de Goiânia informa que, embora concorde e seja solidária às demandas atuais, o município não tem capacidade de caixa para suportar concessões no momento. Isenções e postergações das datas de vencimento de tributos fariam o município entrar em colapso”, diz a nota em tom choroso, manchando com a falta de decência a atual gestão de Goiânia com afirmações de um tipo que, poucos meses atrás, induziram tanto Iris quanto sua equipe a reagir com declarações agressivas (como de fato aconteceu quando um relatório da Consultoria Tendências avaliou a situação da prefeitura como de desequilìbrio fiscal, levando o secretário Alessandro Melo da Silva a denunciar a informação como fake news, o que não era, e em seguida a ameaçar com um processo judicial para desmascarar o que simplesmente chamou de “mentira”).

Não dá para concluir de outra forma: estão mentindo agora ou mentiram antes. Iris, um tocador de obras, nunca foi testado como administrador público em qualquer situação de emergência social e econômica, apesar da sua longa carreira. O coronavírus representa a sua primeira oportunidade de mostrar serviço diante de uma tragédia, mas ele, fazendo nada ao assinar inócuos decretos de calamidade, está se recusando ao até mínimo obrigatório – ou seja, levar algum alívio às centenas de milhares de goianienses, adiando temporariamente a carga tributária que carregam como uma cruz, para preservar a custo de sangue a integridade dos recursos de que pode lançar mão para terminar suas obras. E é muito dinheiro: R$ 1 bilhão 400 milhões, até o fim deste ano, disponíveis no tesouro municipal, conforme fanfarroneava a máquina de comunicação da prefeitura. A solidariedade com o contribuinte da capital, neste momento de agruras, custaria apenas uma pequena parte.