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José Luiz Bittencourt sobre política, cultura e economia

25 jul

Tarifaço prejudica Goiás, mas nossos 3 senadores, 17 deputados federais e 41 estaduais seguem omissos

 

 

O governador Ronaldo Caiado não tem descansado desde que o presidente Trump anunciou o tarifaço de 50% sobre tudo o que o Brasil vende para os Estados Unidos. Caiado criou três fundos para socorrer as empresas prejudicadas em Goiás e tem articulado e se movimentado intensamente com as lideranças nacionais envolvidas na tentativa de abrir uma negociação com os norte-americanos, enquanto o governo Lula segue em total omissão – a não ser as bravatas estudantis insanamente repetidas pelo presidente.

 

 

 

Não é só o cada vez mais envelhecido Lula que se omite. Em Goiás, nenhum dos três senadores, qualquer dos 17 deputados federais ou algum dos 41 deputados estaduais se mexeu ou abriu a boca até agora, sequer para protestar ou manifestar solidariedade com os setores da economia estadual atingidos. Caiado fez reuniões no Palácio das Esmeraldas congregando empresários e representantes classistas, para debater e avaliar o choque das sobretaxas, que serão relativamente suaves quanto ao impacto em um Estado que participa com apenas três e pouco por cento das exportações brasileiras para os EUA. O prefeito Sandro Mabel estava lá. Da Assembleia Legislativa, ninguém. Da bancada federal, puffff… ninguém também. Sequer senadores como Vanderlan Cardoso ou Wilder Morais, que são empresários (no caso de Wilder, é um mistério a área de negócios em que atua, mas, enfim, seria supostamente alguém ligado ao empreendedorismo regional). É um vexame sem tamanho.

 

 

O despreocupado presidente da Assembleia Bruno Peixoto está preocupado com os lixões. Vá lá, já é alguma coisa, embora sem nada a ver com a conjuntura do momento. Nos intervalos, posta fotos no Instagram exibindo músculos e até golpes de sabre, durante uma viagem ao Japão (por conta dos cofres públicos, óbvio). Esquece-se de que o tema incontornável para os homens públicos, hoje, é o tarifaço. As lideranças do país inteiro estão empenhadas em encontrar uma saída, pelo menos as responsáveis e consciensiosas – e não é o caso do inconsequente Lula, que segue achando que tudo não passa de um jogo de truco e atirando pedradas em Trump, sem perceber que está sendo humilhado com a falta de resposta do Tio Sam a qualquer apelo para a abertura de uma negociação. Está ruim? Tudo indica que vai piorar.

E Goiás? Goiás nunca passou por um momento de baixa representatividade parlamentar como o atual. Senadores e deputados federais e estaduais competem para levar emendas orçamentárias para os municípios, em uma completa distorção do papel institucional que cabe aos representantes do povo. No fritar dos ovos, não servem para nada além dos seus próprios interesses. As grandes bandeiras que interessam à população goiana continuam permanentemente ignoradas, em troca de algumas ruas asfaltadas, tratores, caminhões e ambulâncias, dentre outras superficialidades que agradam e atendem ao imediatismo de uma das piores safras de prefeitos da história. Nem uma única voz se fez ouvir para manifestar preocupação com os efeitos deletérios que vêm aí para a produção estadual, com a honrosa, mas muito honrosa, exceção de Caiado.